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terça-feira, 22 de março de 2016

Exercícios Espirituais para a Quaresma - dia 41



Penúltimo dia


Evangelho do dia: Jo 13,21-33.36-38

21. Dito isso, Jesus ficou perturbado em seu espírito e declarou abertamente: Em verdade, em verdade vos digo: um de vós me há de trair!...
22. Os discípulos olhavam uns para os outros, sem saber de quem falava.
23. Um dos discípulos, a quem Jesus amava, estava à mesa reclinado ao peito de Jesus.
24. Simão Pedro acenou-lhe para dizer-lhe: Dize-nos, de quem é que ele fala.
25. Reclinando-se este mesmo discípulo sobre o peito de Jesus, interrogou-o: Senhor, quem é?
26. Jesus respondeu: É aquele a quem eu der o pão embebido. Em seguida, molhou o pão e deu-o a Judas, filho de Simão Iscariotes.
27. Logo que ele o engoliu, Satanás entrou nele. Jesus disse-lhe, então: O que queres fazer, faze-o depressa.
28. Mas ninguém dos que estavam à mesa soube por que motivo lho dissera.
29. Pois, como Judas tinha a bolsa, pensavam alguns que Jesus lhe falava: Compra aquilo de que temos necessidade para a festa. Ou: Dá alguma coisa aos pobres.
30. Tendo Judas recebido o bocado de pão, apressou-se em sair. E era noite...
31. Logo que Judas saiu, Jesus disse: Agora é glorificado o Filho do Homem, e Deus é glorificado nele.
32. Se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e o glorificará em breve.
33. Filhinhos meus, por um pouco apenas ainda estou convosco. Vós me haveis de procurar, mas como disse aos judeus, também vos digo agora a vós: para onde eu vou, vós não podeis ir.
34. Dou-vos um novo mandamento: Amai-vos uns aos outros. Como eu vos tenho amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros.
35. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.
36. Perguntou-lhe Simão Pedro: Senhor, para onde vais? Jesus respondeu-lhe: Para onde vou, não podes seguir-me agora, mas seguir-me-ás mais tarde.
37. Pedro tornou a perguntar: Senhor, por que te não posso seguir agora? Darei a minha vida por ti!
38. Respondeu-lhe Jesus: Darás a tua vida por mim!... Em verdade, em verdade te digo: não cantará o galo até que me negues três vezes.


E a sugestão de uma abstinência.


Que o Divino Mestre o acompanhe neste penúltimo dia da Quaresma!

segunda-feira, 21 de março de 2016

Exercícios Espirituais para a Quaresma - dia 40



Mais uma sugestão de mudança de atitude decorrente da conversão produto da Quaresma.


Entregue-se ao Divino Mestre nesta Semana Santa!

sexta-feira, 18 de março de 2016

Exercícios Espirituais para a Quaresma - dia 39



Domingo de Ramos

Dia do Senhor, Dia da Família

Sugestão de mudança de atitude resultante das reflexões e da conversão produto da Quaresma.

Um domingo muito abençoado pelo Divino Mestre!

Viva a Semana Santa com toda intensidade para participar da alegria da ressurreição!

Exercícios Espirituais para a Quaresma - dia 38


Se você ainda não fez, está na hora de cumprir este Mandamento da Igreja, que é mãe e sabe o que é melhor, fundamental, imprescindível para seus filhos!

E se já fez, que tal outra vez?

Lembre que a confissão pode gerar indulgência plenária!

Sugestões de roteiros de exame de consciência:

http://www.maeperegrina.org.br/artigos/diversos/para-um-bom-exame-de-consciencia-e-confissao/

http://www.comshalom.org/exame-de-consciencia-2/

http://www.acidigital.com/sacramentos/penitencia/exame.htm

http://missatridentinaembrasilia.org/2013/08/28/instrucao-exame-de-consciencia-para-adultos/



O Divino Mestre espera por você no confessionário!

Exercícios Espirituais para a Quaresma - dia 37




Faça o que se propõe hoje! Você vai ver que a maior alegria é a sua!


Texto bíblico:
1. Guardai-vos de fazer vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Do contrário, não tereis recompensa junto de vosso Pai que está no céu.
2. Quando, pois, dás esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa.
3. Quando deres esmola, que tua mão esquerda não saiba o que fez a direita.
4. Assim, a tua esmola se fará em segredo; e teu Pai, que vê o escondido, recompensar-te-á.


Que o Divino Mestre te recompense em dobro!

quinta-feira, 17 de março de 2016

Exercícios Espirituais para a Quaresma - dia 36




O Evangelho do dia está em João, 8,51-59. O que Deus nos quer dizer hoje?


Texto bíblico:
51. Em verdade, em verdade vos digo: se alguém guardar a minha palavra, não verá jamais a morte.
52. Disseram-lhe os judeus: Agora vemos que és possuído de um demônio. Abraão morreu, e também os profetas. E tu dizes que, se alguém guardar a tua palavra, jamais provará a morte...
53. És acaso maior do que nosso pai Abraão? E, entretanto, ele morreu... e os profetas também. Quem pretendes ser?
54. Respondeu Jesus: Se me glorifico a mim mesmo, a minha glória não é nada; meu Pai é quem me glorifica, aquele que vós dizeis ser o vosso Deus
55. e, contudo, não o conheceis. Eu, porém, o conheço e, se dissesse que não o conheço, seria mentiroso como vós. Mas conheço-o e guardo a sua palavra.
56. Abraão, vosso pai, exultou com o pensamento de ver o meu dia. Viu-o e ficou cheio de alegria.
57. Os judeus lhe disseram: Não tens ainda cinqüenta anos e viste Abraão!...
58. Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: antes que Abraão fosse, eu sou.
59. A essas palavras, pegaram então em pedras para lhas atirar. Jesus, porém, se ocultou e saiu do templo.



Temos uma proposta de ação: ajude na sua paróquia!


Que o Divino Mestre faça de você luz do mundo e sal da terra!

quarta-feira, 16 de março de 2016

Exercícios Espirituais para a Quaresma - dia 35



Muitas vezes, deixamos de lado o que não gostamos de fazer, ou o que não queremos fazer, ou o que provoca em nós medo, angústia, insegurança... ou ainda deixamos de lado o que gostamos de fazer, porque nos falta tempo ou dinheiro.

A proposta desses Exercícios Espirituais hoje é bem simples: fazer uma dessas coisas que ficaram para trás.

Ser for um sacrifício, ofereça a Deus este sacrifício; se for uma alegria, ofereça a Deus essa alegria. O que importa é dar glória a Deus em tudo o que fizermos.

E o Evangelho do dia? é Jo 8,31-42. Leia, medite, reze e liberte-se do seu pecado de estimação!

Texto bíblico:

31. Jesus disse aos judeus que nele tinham acreditado: 'Se permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos,
32. e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.'
33. Responderam eles: 'Somos descendentes de Abraão, e nunca fomos escravos de ninguém. Como podes dizer: `Vós vos tornareis livres'?'
34. Jesus respondeu: 'Em verdade, em verdade vos digo, todo aquele que comete pecado é escravo do pecado.
35. O escravo não permanece para sempre numa família, mas o filho permanece nela para sempre.
36. Se, pois, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres.
37. Bem sei que sois descendentes de Abraão; no entanto, procurais matar-me, porque a minha palavra não é acolhida por vós.
38. Eu falo o que vi junto do Pai; e vós fazeis o que ouvistes do vosso pai.'
39. Eles responderam então: 'O nosso pai é Abraão.' Disse-lhes Jesus: 'Se sois filhos de Abraão, praticai as obras de Abraão!
40. Mas agora, vós procurais matar-me, a mim, que vos falei a verdade que ouvi de Deus. Isto, Abraão não o fez.
41. Vós fazeis as obras do vosso pai. 'Disseram-lhe, então: 'Nós não nascemos do adultério, temos um só pai: Deus.'
42. Respondeu-lhes Jesus: 'Se Deus fosse vosso Pai, vós certamente me amaríeis, porque de Deus é que eu saí, e vim. Não vim por mim mesmo, mas foi ele que me enviou.


Que o Divino Mestre seja sua força, sua esperança e sua recompensa!

terça-feira, 15 de março de 2016

Exercícios Espirituais para a Quaresma - dia 34


Leia, medite, reze e aja: o Divino Mestre não vai deixar você sozinho!

Texto Bíblico:
21. Jesus disse-lhes: Eu me vou, e procurar-me-eis e morrereis no vosso pecado. Para onde eu vou, vós não podeis ir.
22. Perguntavam os judeus: Será que ele se vai matar, pois diz: Para onde eu vou, vós não podeis ir?
23. Ele lhes disse: Vós sois cá de baixo, eu sou lá de cima. Vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo.
24. Por isso vos disse: morrereis no vosso pecado; porque, se não crerdes o que eu sou, morrereis no vosso pecado.
25. Quem és tu?, perguntaram-lhe eles então. Jesus respondeu: Exatamente o que eu vos declaro.
26. Tenho muitas coisas a dizer e a julgar a vosso respeito, mas o que me enviou é verdadeiro e o que dele ouvi eu o digo ao mundo.
27. Eles, porém, não compreenderam que ele lhes falava do Pai.
28. Jesus então lhes disse: Quando tiverdes levantado o Filho do Homem, então conhecereis quem sou e que nada faço de mim mesmo, mas falo do modo como o Pai me ensinou.
29. Aquele que me enviou está comigo; ele não me deixou sozinho, porque faço sempre o que é do seu agrado.
30. Tendo proferido essas palavras, muitos creram nele.


Que você faça sempre o que é do agrado do Divino Mestre!

sexta-feira, 11 de março de 2016

Exercícios Espirituais para a Quaresma - dia 32


Domingo, dia do Senhor, dia da Família!

E dia de  gesto concreto.

Texto bíblico:
1. Com respeito ao auxílio a prestar aos irmãos, acho quase supérfluo continuar a escrever-vos.
2. Porquanto estou ciente de vossa boa vontade, que enalteço, para glória vossa, ante os macedônios, dizendo-lhes que a Acaia também está pronta desde o ano passado. O exemplo de vosso zelo tem estimulado a muitos.
3. Eu, porém, vos enviei os nossos irmãos para que o louvor que dissemos a vosso respeito, neste particular, não se tornasse vão e para que, como tenho dito, estejais prevenidos.
4. Eu temia que, se os macedônios fossem comigo e vós não estivésseis preparados, esta certeza redundasse para confusão nossa, para não dizer vossa.
5. Por este motivo, julguei necessário rogar aos irmãos que nos precedessem junto de vós e preparassem em tempo a generosidade prometida. Assim, será verdadeiramente uma liberalidade, e não uma mesquinhez.
6. Convém lembrar: aquele que semeia pouco, pouco ceifará. Aquele que semeia em profusão, em profusão ceifará.
7. Dê cada um conforme o impulso do seu coração, sem tristeza nem constrangimento. Deus ama o que dá com alegria.
8. Poderoso é Deus para cumular-vos com toda a espécie de benefícios, para que tendo sempre e em todas as coisas o necessário, vos sobre ainda muito para toda espécie de boas obras.
9. Como está escrito: Espalhou, deu aos pobres, a sua justiça subsiste para sempre (Sl 111,9).
10. Aquele que dá a semente ao semeador e o pão para comer, vos dará rica sementeira e aumentará os frutos da vossa justiça.
11. Assim, enriquecidos em todas as coisas, podereis exercer toda espécie de generosidade que, por nosso intermédio, será ocasião de agradecer a Deus.
12. Realmente, o serviço desta obra de caridade não só provê as necessidades dos irmãos, mas é também uma abundante fonte de ações de graças a Deus.
13. Pois, ao reconhecer a experimentada virtude que esta assistência revela da vossa parte, eles glorificam a Deus pela obediência que professais relativamente ao Evangelho de Cristo e pela generosidade de vossas esmolas em favor deles e em favor de todos.
14. Além disso, eles oram por vós e vos dedicam a mais terna afeição em vista da eminente graça que Deus vos fez.
15. Graças sejam dadas a Deus pelo seu dom inefável!


Um santo e abençoado domingo, dia do Senhor!

Exercícios Espirituais para a Quaresma - dia 31



Silencie, leia, medite, dialogue, decida, prometa e cumpra: esses são os passos destes Exercícios Espirituais.

Convide Nossa Senhora para ficar para sempre na sua vida!


Texto bíblico:

39. Naqueles dias, Maria se levantou e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá.
40. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel.
41. Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.
42. E exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.
43. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?
44. Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio.
45. Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas!
46. E Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor,
47. meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador,
48. porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações,
49. porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo.
50. Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem.
51. Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos.
52. Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes.
53. Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos.
54. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia,
55. conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre.
56. Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois voltou para casa.

Que o Divino Mestre o abençoe muito!

Maria recorda que a fé é alegria, ou não é fé

Ariccia (RV) - Os Exercícios espirituais para o Papa Francisco e a Cúria Romana se concluíram na manhã desta sexta-feira (11/03), na Casa ‘Divino Mestre’, em Ariccia.

Para a meditação conclusiva dos Exercícios espirituais Pe. Ermes Ronchi propôs ao Papa e à Cúria Romana uma viagem dentro dos versículos da Anunciação, “evento que se realiza no cotidiano, sem testemunhas, longe das luzes e emoções do templo”, disse o pregador.

“O primeiro anúncio de graça do Evangelho foi entregue à normalidade de uma casa”, ou seja, ao lugar onde cada um é si mesmo. É ali que Deus nos encontra e nos toca”.

Deus está na cozinha

“Santa Teresa de Ávila no “’O livro das fundações’ escreveu para as suas monjas as seguintes palavras: Irmãs, recordem: Deus está entre as panelas, na cozinha. Mas como, o Senhor do universo se move na cozinha do mosteiro, entre jarras, panelas, pratos, caçarolas e frigideiras! Deus na cozinha significa levar Deus a um território de proximidade. Se você não o sente doméstico, isto é, dentro das coisas mais simples, você não encontrou o Deus da vida. Ainda está na representação racional do Deus da religião.”

Promessa de felicidade


“Olhamos para Maria para tentar costurar o rasgão mais dramático de nossa fé”: o “Deus da religião que se separou do Deus da vida”. “A mulher de Nazaré como dona de casa nos lança um desafio enorme: passa de uma espiritualidade que se fundamenta na lógica do extraordinário para a mística do cotidiano. Neste cotidiano, o sentimento que prevalece é o da alegria e são as primeiras palavras da Anunciação: ‘Alegre-se Maria’, pois quando Deus se aproxima traz uma promessa de felicidade”:

“A nós que estamos cobertos de gravidade e peso, e de responsabilidades também, Maria recorda que a fé é alegria ou não é fé. Maria entra em cena como uma profecia de felicidade para a nossa vida, como uma bênção de esperança, consoladora, que desce em nosso mal de viver, nas solidões sofridas, nas ternuras negadas, na violência que nos circunda, mas que não vencerá, porque a beleza é mais forte que o dragão da violência, garante o Apocalipse. O anjo com esta primeira palavra diz que existe uma felicidade no crer, o prazer de crer”.

Obra em nossas casas
“Depois, Maria entra em cena como uma mulher que crê no amor”, disse Pe. Ronchi. “O anjo”, lê-se no Evangelho, “foi mandado a uma virgem, prometida em esposa a um homem chamado José”. Segundo o evangelista Lucas, a anunciação é feita a Maria, e segundo Mateus, a José:

“Mas se sobrepomos os dois Evangelhos vemos com alegria que o anúncio é feito ao casal, ao esposo e à esposa juntos, ao justo e à virgem apaixonados. Deus está na obra em nossos relacionamentos, fala dentro das famílias, dentro de nossas casas, no diálogo, no drama, na crise, nas dúvidas e nos impulsos. Deus não rouba espaço à família, não invade, não fere, não subtrai, procura um sim plural que se torna criativo porque é a soma de dois corações, a soma de muitos sonhos e muito trabalho paciente.”

Fé rochosa ou frágil, mas autêntica

Maria sabe se dirigir a Deus, sabe perguntar como irá acontecer o que lhe foi dito. “Ter perplexidade, fazer-se perguntas é uma maneira de estar diante do Senhor, com toda a dignidade humana”, disse Pe. Ronchi. “Aceito o mistério, mas ao mesmo tempo uso toda a minha inteligência. Digo quais são as minhas estradas e depois aceito estradas acima de mim”:

“Em nenhum lugar se diz que a fé rochosa seja melhor que a fé pequena entrelaçada com perguntas. Basta que seja autêntica, aquela que na sua pequenez precisa ainda mais de Deus. O que me dá esperança é ver como no Povo de Deus continuam crescendo as perguntas, ninguém se contenta mais com respostas e palavras já ouvidas, com respostas prontas, querem entender, ir a fundo, querem fazer própria a fé. Um tempo quando todos ficavam calados diante do sacerdote era um tempo de mais fé? Acredito que seja verdadeiro o contrário e se isso é mais fadigoso para nós é também um aleluia, um finalmente.”

O pensamento conclusivo foi sobre a maternidade de Deus. “Sem o corpo de Maria o Evangelho perde corpo”, disse Pe. Ronchi. “Todos os cristãos são chamados a ser mães de Deus, porque Deus sempre precisa vir ao mundo”. (MJ)

Igreja não acenda os refletores sobre si

Cidade do Vaticano (RV) - A Igreja saiba “colocar-se à parte” para que no seu anúncio faça brilhar sempre o rosto de Deus – não ela mesma. É a exortação feita pelo Padre Ermes Ronchi na quarta meditação dos exercícios espirituais que ele prega ao Papa Francisco e à Cúria Romana, na Casa “Divino Mestre”, em Ariccia. A inspiração da reflexão da manhã desta terça-feira (08/03), veio da passagem em que Pedro faz a sua profissão de fé em Cristo.

A pergunta que Jesus faz aos discípulos ressoa no reparo do “lugar afastado” para onde o Mestre conduziu os discípulos. Por qualquer momento nada de reuniões e o barulho da multidão, mas somente “silêncio, solicitude e oração”. Somente um momento de intimidade “entre eles e entre eles e Deus”. E neste silêncio, aquela pergunta de Jesus que parece uma sondagem de opinião: “Mas quem dizeis vós que Eu sou?”.

O melhor negócio da minha vida

No silêncio análogo do retiro em Ariccia, Padre Ermes Ronchi coloca o Papa e sues colaboradores da Cúria diante da mesma solicitação. E, sobretudo, àquele “mas” que Jesus acrescenta, que percorre a alma: “Mas quem dizeis vós que Eu sou?”. Um modo para dizer aos seus – observa Padre Ronchi, de não se contentar daquilo que dizem as pessoas, porque “a fé não avança por ter ouvido falar”:

“A resposta que Jesus procura não são palavras. Ele procura pessoas. Não definições, mas envolvimentos: o que te aconteceu, quando me encontraste? Jesus é o mestre do coração, Jesus não dá lições, não sugere respostas, conduz com delicadeza a procurar dentro de nós. E eu gostaria de poder responder: te encontrar foi o melhor negócio da minha vida. Foste a melhor coisa que jamais me aconteceu”.

A fé caminha

“Quem sou eu para ti”? é uma pergunta de “enamorados”, diz o pregador dos exercícios. E o que surpreende é que Jesus “não doutrina ninguém”. Os discípulos não devem temer em dar respostas prontas àquela pergunta, “não há nenhum Credo a ser composto”, afirma Padre Ronchi. A Jesus interessa saber se os seus abriram o coração. Afirmar, como faz Pedro, que Cristo é “o filho do Deus Vivo” é uma verdade que tem sentido se Cristo “está vivo dentro de nós”.

“O nosso coração – diz ainda o pregador – pode ser o berço ou a sepultura de Deus”:

“Querem realmente saber algo sobre mim, diz Jesus, e ao mesmo tempo sobre vocês? Temos um compromisso: um homem na cruz. Um que é colocado no alto. Antes ainda, quinta-feira, o compromisso de Cristo será um outro: um que está em um lugar abaixo. Que pega um pano e se inclina para lavar os pés dos seus (...) Razão a Paulo: o cristianismo é escândalo e loucura. Agora entendemos quem é Jesus: é beijo a quem o trai. Não divide ninguém, divide a si mesmo. Não derrama o sangue de ninguém, derrama o seu sangue. Não sacrifica ninguém, sacrifica a si mesmo”.

“Refletores” em Cristo

Até o momento daquela pergunta feita no silêncio, o discípulos não tinham ainda entendido o que estava prestes a acontecer a seu Mestre. Por isso Jesus é rigoroso ao impor-lhes de não dizer nada a ninguém. “Um comando severo” que “chega a toda a Igreja”, destaca o pregador, “porque às vezes já pregamos um rosto deformado de Deus”.

Nós, eclesiásticos, nota Padre Ronchi, “parecemos todos iguais” – mesmos gestos, palavras, vestidos. Mas as pessoas se perguntam: “Diga-me a sua experiência de Deus”. E Cristo, prossegue, “não é aquilo que digo Dele mas aquilo que vivo Dele”. “Não somos nós o mediadores entre Deus e a humanidade, o verdadeiro mediador é Jesus”, conclui o pregador. Como João Batista, devemos preparar a estrada e “colocar-nos à parte”.

“Pensem na beleza de um igreja que não acende os refletores sobre ela mesma – como nestes dias aqui recolhidos – mas sobre um Outro. Temos ainda um caminho a percorrer. Diminuir (...) Jesus não diz “pegue a minha cruz”, mas a sua, cada um a sua (…) O sonho de Deus não é um cortejo sem medidas de homens, mulheres e crianças, cada um com a sua cruz sobre os ombros. Mas de pessoas encaminhadas em direção a uma vida boa, contente e criativa. Uma vida que tem um preço tenaz de compromisso e perseverança. Mas também um preço doce, de luz: no terceiro dia ressuscitará”.

(AC/RB)

http://br.radiovaticana.va/news/2016/03/08/medita%C3%A7%C3%A3o_de_quaresma_igreja_n%C3%A3o_acenda_os_refletores_sobre/1213879

Igreja seja transparente sobre bens

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco e seus colaboradores da Cúria Romana entraram no quarto dia de reflexões propostas pelo Padre Ermes Ronchi durante os exercícios espirituais de Quaresma, em Ariccia.

“Aquilo que mais fere o povo cristão – observou Padre Ronchi – é o apego do clero ao dinheiro”, enquanto “o que faz o povo cristão feliz é o pão compartilhado”.

Neste contexto, a transparência dos bens da Igreja, a luta contra à fome e contra o desperdício de alimentos foram os principais temas que conduziram a sexta meditação na manhã desta quarta-feira (09/03).

“Existem pessoas tão famintas que para elas Deus não pode não ter outra forma a não ser a de um pão”. Estas foram as palavras iniciais da meditação de Padre Ronchi. A vida tem início com a fome, disse, “estar vivo é ter fome”. E se a visão se amplia, vê-se uma fome das massas, “o assédio dos pobres”, milhões de punhos cerrados que pedem algo para comer, não pedem “uma definição religiosa”.

- E a Igreja, como responde?

Não às cortinas de fumaça

As palavras do Evangelho com as quais Padre Ronchi intercala as suas são aquelas da multiplicação dos pães e dos peixes e da pergunta de Jesus aos discípulos: “Quantos pães vocês têm? Vejam!”. Jesus, observa Padre Ronchi, “é muito prático”, pede “para fazer as contas”.

“Isso é pedido a todos os discípulos também hoje, e a mim: quanto tens? Quanto dinheiro, quantas casas? Que padrão de vida? Vejam, verifiquem. Quantos carros ou quantas joias em forma de cruz e de anéis? A Igreja não deve temer a transparência, não deve ter nenhum medo da clareza sobre os seus pães e peixes, seus bens. Cinco pães e dois peixes”.

Compartilhar é multiplicar


“Com a transparência se é verdadeiro. E quando se é verdadeiro se é também livre”, afirma o pregador dos exercícios. Como Jesus, que “não se fez comprar por ninguém”, e “jamais entrou nos palácios dos potentes, somente quando prisioneiro”.

Quando não se tem, nota Padre Ronchi, procura-se reter, como aquelas Ordens religiosas que tentam administrar os bens como se isso pudesse produzir aquela segurança corroída pela crise das vocações. Ao invés, a lógica de Jesus é aquela do dom. “Amar” no Evangelho se traduz em um verbo seco: “dar”. O milagre da multiplicação diz isto, que Jesus “não se preocupa com a quantidade” do pão, aquilo que quer é que o pão seja compartilhado:

“De acordo com uma misteriosa regra divina: quando o meu pão passa a ser o nosso pão, também o pouco passa a ser suficiente. E, ao contrário, a fome começa quando restrinjo o meu pão a mim, quando o Ocidente saciado restringe seu pão, seus peixes, os seus bens para si (...) Alimentar a terra, toda a terra, é possível, há pão em abundância. Não é preciso multiplicá-lo, basta distribuí-lo, começando por nós. Não são necessárias multiplicações prodigiosas, mas derrotar a Gula do egoísmo, do desperdício de alimento e do acúmulo de poucos”.

“A fome dos outros tem direitos sobre mim”

“Dai e vos será dado. Uma medida boa, socada, sacudida e transbordante será colocada na dobra da vossa veste...”. Nesta promessa de Jesus está contida, reitera Padre Ronchi, “a misteriosa, imensa economia do dom e do cêntuplo, que é o diferencial de todas as balanças. Isto “me conforta – disse – porque mostra que a verdade última segue a lógica do dom, não aquela da observância”. E a “pergunta última será: doaste pouco ou doaste muito à vida”. “Disto depende a vida, não dos bens”, conclui Padre Ronchi. E são suficientes cinco pães doados para mudar o mundo:

“O milagre são os cinco pães e os dois peixes que a Igreja nascente coloca nas mãos de Cristo confiando-se, sem calcular e sem reter qualquer coisa para si e para o próprio jantar. É pouco mas é tudo aquilo que tem, é pouco mas é o jantar completo dos discípulos, é uma gota no mar, mas é aquela gota que pode dar sentido e pode dar esperança à vida”. (rb)

O contrário do amor não é o ódio, mas a indiferença



Ariccia (RV) - O Amor de Deus pelo homem inflama o coração e abre os olhos: esse é o cerne da nona meditação, feita na tarde desta quinta-feira pelo sacerdote dos Servos de Maria, Pe. Ermes Ronchi, no quinto e penúltimo dia dos exercícios espirituais propostos ao Papa Francisco e à Cúria Romana em Ariccia, nas proximidades de Roma. “O contrário do amor não é o ódio, mas a indiferença”, devemos “voltar a nos enamorar”, disse o pregador do Retiro.

Entre Páscoa e Pentecostes Jesus se manifestou novamente aos discípulos no lago de Tiberíades numa noite “sem estrelas”, “amarga” até o “romper da aurora” com Jesus que se manifesta aos seus. A meditação de Pe. Ronchi parte dessa cena com a pergunta de Amor três vezes feita por Jesus, para aproximar-se sempre mais de Simão Pedro. Tu me amas?

Uma pergunta de amor dirigida a cada homem e que “abre percursos, inicia processos”, ressaltou Pe. Ronchi evidenciando mais vezes o dinamismo do amor de Jesus pelo homem, dinamismo este que tudo transforma:

A santidade na paixão por Cristo

“Vejo a santidade descrita nesta página do Evangelho. A santidade não consiste na ausência de pecados, num campo já não mais com ervas daninhas, mas está numa paixão renovada, está no renovar agora a minha paixão por Cristo e pelo Evangelho. Agora.”

Pe. Ronchi explicou que o amor de Deus reacende “os corações”, “a paixão”. “A santidade não é uma paixão apagada, mas uma paixão convertida”, acrescentou. “Quando o amor existe não pode haver equívoco, é evidente, solar, indiscutível.”

A fé possui três passos


É Deus que “ama o homem”, que preenche as insuficiências, “preenche as pobrezas”, não busca nele “a perfeição”, mas “a autenticidade”. “Não estamos no mundo para sermos imaculados, mas para sermos encaminhados”. E invertendo todo esquema fala de “Jesus, mendicante de amor, mendicante sem pretensões” que “conhece a minha pobreza” e que pede “a verdade de um pouco de amizade”. “A fé possui três passos: preciso, confio, me entrego:

O reavivador de laços

“Crer é precisar de amor, confiar-se e fundar-se nisso, como forma de Deus, como forma do homem, como forma do mundo, do futuro, do viver. Confiar-se é fundar a vida nesta hipótese: que mais amor é bom, menos amor é ruim.”

“É abandonar a regra toda vez que ela se opõe ao amor”, dizia Irmã Maria do eremitério de Campello (região italiana da Úmbria). Enquanto o mundo proclama a sua fé, a sua evidência: mais dinheiro é bom, menos dinheiro é ruim.

Mas todo fiel é um fiel no amor: ou seja, um reavivador de laços, um reanimador de laços, alguém que ajuda os homens a reencontrar confiança no amor. Nós cremos no Amor.”

Crer é ter uma relação com Deus


Pe. Ronchi frisou que “crer é ter uma relação com Deus”, caminhar no amor com uma pessoa” e a salvação está na certeza de que é Ele quem “ama”. “A crise de fé no mundo ocidental”, explicou em seguida o pregador dos exercícios espirituais, “começa” propriamente “com a crise do ato humano de crer”. “Porque não se crê no amor.” O amor é dar:

O contrário do amor não é o ódio

“O contrário do amor não é o ódio, mas a indiferença que é a seiva que alimenta todo mal, a seiva secreta do pecado. A indiferença na qual o outro para você não existe, não conta, não vale, não é nada.”

“Hoje devemos voltar a enamorar-nos.” Amar a Deus “com todo nosso ser, corpo e alma”. “Deixe de amar como submisso, deixe de amar como escravo”, concluiu. “É preciso voltar a amar a Deus como enamorados. Aí sim, a vida, e a fé” se tornarão repletas de sorrisos. (RL)

Exercícios Espirituais para a Quaresma - dia 30


Começamos nova fase nos nossos exercícios espirituais: ao se aproximar a Páscoa, os textos de meditação passarão a ser o Evangelho do dia. Com ele, faça o que você vem fazendo: ler, meditar, contemplar, orar. E agir.

Evangelho do dia: Jo 7,1-2.10.25-30


1. Jesus andava percorrendo a Galileia. Evitava andar pela Judéia, porque os judeus procuravam matá-lo. 2. Entretanto, aproximava-se a festa judaica das Tendas. 10. Quando seus irmãos já tinham subido, então também ele subiu para a festa, não publicamente mas sim, como que às escondidas.
25. Alguns habitantes de Jerusalém disseram então: 'Não é este a quem procuram matar? 26 Eis que fala em público e nada lhe dizem. Será que, na verdade, as autoridades reconheceram que ele é o Messias? 27. Mas este, nós sabemos donde é. O Cristo, quando vier, ninguém saberá donde ele é.'
28. Em alta voz, Jesus ensinava no Templo, dizendo: 'Vós me conheceis e sabeis de onde sou; eu não vim por mim mesmo, mas o que me enviou é fidedigno. A esse, não o conheceis, 29. mas eu o conheço, porque venho da parte dele, e ele foi quem me enviou.' 30. Então, queriam prendê-lo, mas ninguém pôs a mão nele, porque ainda não tinha chegado a sua hora.

Que o Divino Mestre o conduza nesses dias finais da Quaresma rumo à melhor Páscoa da sua vida!

quinta-feira, 10 de março de 2016

“Jesus não é moralista, nós é que moralizamos o Evangelho”




Na pregação do Pe. Ronchi nos exercícios espirituais do Papa e da Cúria, recorda que Jesus não usa a lógica das categorias ou estereótipos

Jesus não é moralista, nós é que moralizamos o Evangelho. Essa a advertência do Pe. Ermes Ronchi, na quinta meditação dos exercícios espirituais do Papa Francisco e da Cúria Romana, que estão sendo realizados na Casa Divin Maestro de Ariccia.

Partindo da passagem do Evangelho na qual Jesus, enviado à casa de Simão fariseu, rompe qualquer condenação e deixa que uma mulher, para todos pecadora, chore em seus pés e os seque com os seus cabelos, beijando-os e lavando-os com azeite perfumado. E diante da surpresa de Simão, Jesus o repreende: “Olhe esta mulher” que, de pecadora se converte na “perdoada que amou muito”. Dessa forma, o pregador indicou que “na cena da casa de Simão o fariseu, se vê um conflito surpreendente: o piedoso e a prostituta; o poderoso e a sem nome, a lei e o perfume, a regra e o amor, em comparação”.

O erro de Simão – garantiu – é o olhar que julga. “Jesus, por toda a sua existência ensinará o olhar que não julga, inclusivo, o olhar misericordioso”. O pregador dos exercícios esclareceu que Simão coloca no centro da relação entre o homem e Deus “o pecado, fazendo-o a coluna vertebral da religião”. O erro dos moralistas de cada época, dos fariseus de sempre. Jesus – recordou – não é moralista, porque coloca no centro da pessoa com lágrimas e sorrisos, a sua carne dolorida ou exultante, e não a lei. No Evangelho, como recordou o pregador, encontramos mais frequentemente a palavra pobre do que pecador.

“Adão é pobre antes que pecador, somos frágeis e guardiões de lágrimas, prisioneiros de mil limites, antes que culpados”. Somos nós – advertiu – os que moralizamos o Evangelho.

A este respeito, disse que no princípio não era assim. O pe. Vanucci explica muito bem: o Evangelho não é uma moral, mas uma chocante libertação. E nos leva para fora do paradigma da plenitude, da vida em plenitude.

Simão, o moralista, olha para o passado da mulher, vê “uma história de transgressões”, enquanto que Jesus vê “o muito amor de hoje e amanhã”.

Assim, o Pe. Ronchi explicou que “Jesus não ignora quem é, não finge não saber, mas recebe. Com as suas feridas e especialmente com a sua centelha de luz, é que Ele faz reviver”. O centro do jantar tinha que ser Simão, piedoso e poderoso, porém, é a mulher. “Só Jesus é capaz de fazer esta mudança de perspectiva, fazer este espaço para os últimos. Jesus afasta do ponto focal o pecado da mulher e as faltas de Simão, desconstrói, coloca-o em dificuldade como fará com os acusadores da adúltera no templo”.

Se Jesus me perguntasse também a mim – disse Ronch – vê essa mulher? Deveria responder: “não, Senhor, aqui vejo só homens”: Não é muito normal isso, admitamos. Devemos tomar nota de um vazio que não corresponde à realidade da humanidade e da Igreja”.

“Não era assim no Evangelho”, onde muitas mulheres seguiam e serviam Jesus, mas “não a vejo seguindo-nos”, observou o pe. Ronchi.

“O que nos assusta que devemos ficar longe dessa mulher e das outras? Jesus era sumamente indiferente ao passado de uma pessoa, ao sexo de uma pessoa, não pensa nunca por categorias ou estereótipos. E acho que também o Espírito Santo distribui seus dons sem olhar para o sexo das pessoas “, disse.

Jesus, marcado pela mulher que o comoveu, não a esquece: na última ceia retomará o gesto da pecadora desconhecida e apaixonada, lavará os pés dos seus discípulos e os secará. “Quando ama, o homem realiza gestos divinos, Deus quando ama realiza gestos humanos, e o faz com o coração de carne”.

Finalmente, o pregador deu um conselho aos confessores: “É tão fácil para nós quando somos confessores não ver as pessoas, com as suas necessidades e a suas lágrimas, mas ver a norma aplicada ou violada. Generalizar, empurrar as pessoas dentro de uma categoria, classificar. E assim alimentamos a dureza do coração, a esclerocardia, a doença mais temida por Jesus. Nos transformamos em burocratas das regras e analfabetos do coração; não encontramos a vida, mas só nosso preconceito”.

quarta-feira, 9 de março de 2016

Exercícios Espirituais para a Quaresma - dia 29



Silencie, leia, medite, dialogue, decida, prometa e cumpra: esses são os passos destes Exercícios Espirituais.

Rezar pelos padres da Igreja é fundamental para que eles sempre ouçam a voz do Bom Pastor e a sigam.



Texto bíblico:

1. Em verdade, em verdade vos digo: quem não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador.
2. Mas quem entra pela porta é o pastor das ovelhas.
3. A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz. Ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz à pastagem.
4. Depois de conduzir todas as suas ovelhas para fora, vai adiante delas; e as ovelhas seguem-no, pois lhe conhecem a voz.
5. Mas não seguem o estranho; antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos.
6. Jesus disse-lhes essa parábola, mas não entendiam do que ele queria falar.
7. Jesus tornou a dizer-lhes: Em verdade, em verdade vos digo: eu sou a porta das ovelhas.
8. Todos quantos vieram antes de mim foram ladrões e salteadores, mas as ovelhas não os ouviram.
9. Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim será salvo; tanto entrará como sairá e encontrará pastagem.
10. O ladrão não vem senão para furtar, matar e destruir. Eu vim para que as ovelhas tenham vida e para que a tenham em abundância.
11. Eu sou o bom pastor. O bom pastor expõe a sua vida pelas ovelhas.
12. O mercenário, porém, que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, quando vê que o lobo vem vindo, abandona as ovelhas e foge; o lobo rouba e dispersa as ovelhas.
13. O mercenário, porém, foge, porque é mercenário e não se importa com as ovelhas.
14. Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem a mim,
15. como meu Pai me conhece e eu conheço o Pai. Dou a minha vida pelas minhas ovelhas.
16. Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco. Preciso conduzi-las também, e ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor.
17. O Pai me ama, porque dou a minha vida para a retomar.
18. Ninguém a tira de mim, mas eu a dou de mim mesmo e tenho o poder de a dar, como tenho o poder de a reassumir. Tal é a ordem que recebi de meu Pai.


Especialmente hoje, reze por Dom Terra, nosso fundador, e por Padre Clóvis, nosso reitor.


Que você sempre reconheça a voz do Divino Mestre! Que Ele o abençoe!

“O nosso coração pode ser a manjedoura ou o túmulo de Deus”

Continuam as meditações do Pe. Ermes Ronchi durante os Exercícios Espirituais de Quaresma com o Papa e a Cúria. O desejo de uma Igreja “longe de refletores”, que desenvolve a sua tarefa de “sal e luz” no mundo

A Igreja saiba “colocar-se à parte” para que no seu anúncio faça brilhar sempre o rosto de Deus – não ela mesma. É a exortação feita pelo Padre Ermes Ronchi na quarta meditação dos exercícios espirituais que ele prega ao Papa Francisco e à Cúria Romana, na Casa “Divino Mestre”, em Ariccia. A inspiração da reflexão da manhã desta terça-feira (08/03), veio da passagem em que Pedro faz a sua profissão de fé em Cristo.
A pergunta que Jesus faz aos discípulos ressoa no reparo do “lugar afastado” para onde o Mestre conduziu os discípulos. Por qualquer momento nada de reuniões e o barulho da multidão, mas somente “silêncio, solicitude e oração”. Somente um momento de intimidade “entre eles e entre eles e Deus”. E neste silêncio, aquela pergunta de Jesus que parece uma sondagem de opinião: “Mas quem dizeis vós que Eu sou?”.
O melhor negócio da minha vida
No silêncio análogo do retiro em Ariccia, Padre Ermes Ronchi coloca o Papa e sues colaboradores da Cúria diante da mesma solicitação. E, sobretudo, àquele “mas” que Jesus acrescenta, que percorre a alma: “Mas quem dizeis vós que Eu sou?”. Um modo para dizer aos seus – observa Padre Ronchi, de não se contentar daquilo que dizem as pessoas, porque “a fé não avança por ter ouvido falar”:
“A resposta que Jesus procura não são palavras. Ele procura pessoas. Não definições, mas envolvimentos: o que te aconteceu, quando me encontraste? Jesus é o mestre do coração, Jesus não dá lições, não sugere respostas, conduz com delicadeza a procurar dentro de nós. E eu gostaria de poder responder: te encontrar foi o melhor negócio da minha vida. Foste a melhor coisa que jamais me aconteceu”.
A fé caminha
“Quem sou eu para ti”? é uma pergunta de “enamorados”, diz o pregador dos exercícios. E o que surpreende é que Jesus “não doutrina ninguém”. Os discípulos não devem temer em dar respostas prontas àquela pergunta, “não há nenhum Credo a ser composto”, afirma Padre Ronchi. A Jesus interessa saber se os seus abriram o coração. Afirmar, como faz Pedro, que Cristo é “o filho do Deus Vivo” é uma verdade que tem sentido se Cristo “está vivo dentro de nós”.
“O nosso coração – diz ainda o pregador – pode ser o berço ou a sepultura de Deus”:
“Querem realmente saber algo sobre mim, diz Jesus, e ao mesmo tempo sobre vocês? Temos um compromisso: um homem na cruz. Um que é colocado no alto. Antes ainda, quinta-feira, o compromisso de Cristo será um outro: um que está em um lugar abaixo. Que pega um pano e se inclina para lavar os pés dos seus (…) Razão a Paulo: o cristianismo é escândalo e loucura. Agora entendemos quem é Jesus: é beijo a quem o trai. Não divide ninguém, divide a si mesmo. Não derrama o sangue de ninguém, derrama o seu sangue. Não sacrifica ninguém, sacrifica a si mesmo”.
“Refletores” em Cristo
Até o momento daquela pergunta feita no silêncio, o discípulos não tinham ainda entendido o que estava prestes a acontecer a seu Mestre. Por isso Jesus é rigoroso ao impor-lhes de não dizer nada a ninguém. “Um comando severo” que “chega a toda a Igreja”, destaca o pregador, “porque às vezes já pregamos um rosto deformado de Deus”.
Nós, eclesiásticos, nota Padre Ronchi, “parecemos todos iguais” – mesmos gestos, palavras, vestidos. Mas as pessoas se perguntam: “Diga-me a sua experiência de Deus”. E Cristo, prossegue, “não é aquilo que digo Dele mas aquilo que vivo Dele”. “Não somos nós o mediadores entre Deus e a humanidade, o verdadeiro mediador é Jesus”, conclui o pregador. Como João Batista, devemos preparar a estrada e “colocar-nos à parte”.
“Pensem na beleza de um igreja que não acende os refletores sobre ela mesma – como nestes dias aqui recolhidos – mas sobre um Outro. Temos ainda um caminho a percorrer. Diminuir (…) Jesus não diz “pegue a minha cruz”, mas a sua, cada um a sua (…) O sonho de Deus não é um cortejo sem medidas de homens, mulheres e crianças, cada um com a sua cruz sobre os ombros. Mas de pessoas encaminhadas em direção a uma vida boa, contente e criativa. Uma vida que tem um preço tenaz de compromisso e perseverança. Mas também um preço doce, de luz: no terceiro dia ressuscitará”.
[Fonte: Rádio Vaticano]

https://pt.zenit.org/articles/o-nosso-coracao-pode-ser-a-manjedoura-ou-o-tumulo-de-deus/

Exercícios Espirituais para a Quaresma - dia 28



Silencie, leia, medite, dialogue, decida, prometa e cumpra: esses são os passos destes Exercícios Espirituais.

Dia de 2 em 1: meditação + obra de misericórdia

Texto bíblico:
1. Salmo de Davi. Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e tudo o que existe em mim bendiga o seu santo nome. 
2. Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e jamais te esqueças de todos os seus benefícios. 
3. É ele que perdoa as tuas faltas, e sara as tuas enfermidades. 
4. É ele que salva tua vida da morte, e te coroa de bondade e de misericórdia. 
5. É ele que cumula de benefícios a tua vida, e renova a tua juventude como a da águia. 
6. O Senhor faz justiça, dá o direito aos oprimidos. 
7. Revelou seus caminhos a Moisés, e suas obras aos filhos de Israel. 
8. O Senhor é bom e misericordioso, lento para a cólera e cheio de clemência. 
9. Ele não está sempre a repreender, nem eterno é o seu ressentimento. 
10. Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos castiga em proporção de nossas faltas, 
11. porque tanto os céus distam da terra quanto sua misericórdia é grande para os que o temem; 
12. tanto o oriente dista do ocidente quanto ele afasta de nós nossos pecados. 
13. Como um pai tem piedade de seus filhos, assim o Senhor tem compaixão dos que o temem, 
14. porque ele sabe de que é que somos feitos, e não se esquece de que somos pó. 
15. Os dias do homem são semelhantes à erva, ele floresce como a flor dos campos. 
16. Apenas sopra o vento, já não existe, e nem se conhece mais o seu lugar. 
17. É eterna, porém, a misericórdia do Senhor para com os que o temem. E sua justiça se estende aos filhos de seus filhos, 
18. sobre os que guardam a sua aliança, e, lembrando, cumprem seus mandamentos. 
19. Nos céus estabeleceu o Senhor o seu trono, e o seu império se estende sobre o universo. 
20.Bendizei ao Senhor todos os seus anjos, valentes heróis que cumpris suas ordens, sempre dóceis à sua palavra. 
21.Bendizei ao Senhor todos os seus exércitos, ministros que executais sua vontade. 
22. Bendizei ao Senhor todas as suas obras, em todos os lugares onde ele domina. Bendize, ó minha alma, ao Senhor.

Bendigamos sempre ao Divino Mestre que nos afasta dos nossos pecados e tem compaixão dos que o temem!


terça-feira, 8 de março de 2016

“Todo homem procura um Deus envolvente. Deus pode morrer de tédio em nossas igrejas…"

Primeiras meditações do Pe. Ermes Ronchi, durante os Exercícios Espirituais de Quaresma com o Papa e a Cúria Romana em Ariccia, sobre o tema “As francas questões do Evangelho”

“Jesus então virou-se e, observando aqueles que o seguiam, disse-lhes O que procurais?” A pergunta de Cristo, que ressoou ontem na capela da Casa ‘Divino Mestre’ de Ariccia, onde o Papa e a Cúria estão reunidos desde ontem à tarde para os Exercícios Espirituais de Quaresma.
Pe. Ermes Ronchi, sacerdote friulano da Ordem dos Servos de Maria, foi escolhido (por telefone) pelo Papa para guiar as meditações até o próximo dia 11 de março com o tema “As nuas perguntas do Evangelho”. Perguntas – disse o religioso na sua primeira reflexão relatada pela Rádio Vaticano – que devem ser “amadas” em quanto “já revelação”. São “o outro nome da conversão”. Jesus, de fato, educa à fé através de perguntas, “muito mais do que através de palavras assertivas.”
Mais de 220 são as relatadas nos Evangelhos, porque “a pergunta é a comunicação não violenta” – explica o sacerdote servita – “que não cala o outrou, mas relança o diálogo, o envolve e, ao mesmo tempo, o deixa livre”.
A proposta para estes dias de exercícios é, portanto, “de parar para ouvir um Deus de perguntas: não mais questionar ao Senhor, mas deixar-nos interrogar por Ele. E em vez de correr rápido para buscar resposta, parar para viver bem as perguntas”.
O próprio Jesus é uma pergunta, diz Ronchi: “A sua vida e a sua morte nos desafiam sobre o sentido último das coisas, nós questionam sobre o que faz feliz a vida”. E “a resposta é ainda Ele” que “não pede antes de mais nada renúncias ou sacrifícios, não pede para imolar-se sobre o altar do dever ou do esforço, pede em primeiro lugar reentrar no coração comprende-lo, conhecer.
Papa-Esercizi-Spirituali
Procurar a felicidade equivale, portanto, a buscar Deus, “um Deus sensível ao coração, um que faz feliz o coração, cujo nome é alegria, liberdade e plenitude”. “Deus é belo. Nos corresponde anunciar um Deus belo, desejável, interessante”; “a paixão por Deus – acrescenta o pregador – nasce precisamente de ter descoberto a beleza de Cristo.
“Deus me atrai por ser onipotente, não me seduz por ser eterno ou perfeito;” Ele “me seduz com o rosto e a história de Cristo, o homem da vida boa, bela, beata, livre como ninguém, amor como nenhum outro”. Jesus “é a bela notícia que diz: é possível viver melhor, para todos. E o Evangelho possuiu a chave”.
No entanto, nós “empobrecemos o rosto de Deus, que, por vezes, reduzimos a miséria, relegado a remexer no passado e no pecado do homem”. Um Deus, disse o padre Hermes, “que é adorado e venerado”, mas que não é aquele “envolvido, e envolvente, que ri e brinca com os seus filhos”.
Todo homem, no entanto, concluiu o religiosa, “buscar um Deus envolvente”: “Deus pode morrer de tédio nas nossas igrejas. Devolvamos-lhe o seu rosto solar, um Deus amável, desejável, querido. Será como beber das fontes da luz, das bordas infinito”. A reflexão concluiu, portanto, como começou, com uma pergunta: “O que procurais? Para quem caminhais? “. Ronchi deixa transparecer a primeira resposta desta semana de meditações: “Procuro um Deus desejável, caminho por alguém que faz feliz o coração”.
No segundo dia dos exercícios espirituais o religioso focou nas duas palavras-chave: “medo e fé” a partir do passo da tempestade acalmada na qual Jesus pergunta aos discípulos: “Por que tendes medo, ainda não tendes fé?” (Mc 4, 40). São “os dois antagonistas que se disputam eternamente o coração do homem”, destaca o Pe. Hermes, “a Palavra de Deus, de um extremo ao outro da Bíblia conforta e anima, repetindo várias vezes: não temais. Não tenhais medo!”
Medo que não é tanto a falta de coragem mas “falta de confiança”, de cair na ilusão de acreditar em “um Deus que tira e não em um Deus que dá.” O erro, isto é, que cometeram Adão e Eva que se deixam persuadir pelo diabo e “acreditam em um Deus que rouba liberdades, em vez daquele que oferece possibilidades; Acreditam em um Deus que se preocupa mais com a sua lei do que com a alegria dos seus filhos; um Deus com ollhar crítico, do qual deve-se fugir em vez de correr na sua direção”.
“Um Deus, afinal, não confiável.”
E o primeiro de todos os pecados – diz Ronchi – é o “pecado contra a fé” que nasce “da imagem errada de Deus” da qual, por sua vez, nasce “o medo dos medos”. “Do rosto de um Deus temível vem o coração medroso de Adão”, que é o mesmo coração amedrontado de todos nós quando nos encontramos na tempestade: porque nos sentimos abandonados, porque “Deus parece dormir” porque “queremos que intervenha rápido”.
Mas Deus intervém. Ele “não age em nosso lugar – destaca o servita – não nos tira das tempestades mas nos apoia dentro das tempestades”. Como escrevia Bonhoeffer: “Deus não salva do sofrimento, mas no sofrimento, não protege da dor, mas na dor, não salva da cruz, mas na cruz … Deus não traz a solução para os nossos problemas, traz a si mesmo e dando-se-nos nos dá tudo” E nos deu Jesus que “veio para preencher de luz, de sol”.
“Talvez – diz o padre Hermes Ronchi – nós pensamos que o Evangelho iria resolver os problemas do mundo ou, pelo menos, que teria diminuído a violência e as crises da história, mas não é assim. Na verdade o Evangelho trouxe consigo rejeição, perseguições, outras cruzes: pensemos nas 4 irmãs mortas em Aden”.
Mas Jesus “nos ensina que só há uma maneira de superar o medo: é a fé!”. Missão da Igreja, também no interior, é, portanto, libertar do medo que nos faz usar diferentes máscaras com aqueles que nos rodeiam.Exercícios Espirituais
“Por um longo tempo – releva o pregador – a Igreja transmitiu uma fé cheia de medo que girava em torno do paradigma culpa/castigo, em vez de no florescimento e plenitude.”
Esse medo tem produzido e produz “um cristianismo triste, um Deus sem alegria”. Liberar do medo, então, significa “trabalhar ativamente para levantar este manto de medo que está sobre o coração de tantas pessoas: o medo do outro, o medo do estrangeiro. Passar da hostilidade, que pode ser também instintiva, à hospitalidade, da xenofobia à filoxenia”. E significa “libertar os fieis do medo de Deus, como fizeram ao longo de toda a história sagrada os seus anjos: ser anjos que libertam do medo”.