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segunda-feira, 29 de outubro de 2012


Uma fé que se traduz em obras

Em outubro deste ano 2012 o papa Bento XVI declarou como início do Ano da Fé, em comemoração aos 50 anos do Concílio Vaticano II e dos 20 anos do Catecismo da Igreja Católica, os quais se tornaram significativos na história da Igreja. Durante esse período, o sucessor de Pedro nos chama a “intensificar a reflexão sobre a fé, para ajudar todos os crentes em Cristo a tornarem mais consciente e revigorarem a sua adesão ao Evangelho, sobretudo num momento de profunda mudança como este que a humanidade está a viver.” (Porta Fidei, 8)
Vivemos em tempos de crise nos diversos seguimentos institucionais que formam a nossa sociedade. No que diz respeito ao contexto da fé as coisas também não são diferentes. Mais do que nunca, hoje precisamos apresentar ao mundo as razões pelas quais cremos, testemunhando Aquele que nos faz agir e pensar muitas vezes diferente dos padrões apresentados pela mídia e demais ideologias contemporânea.
A verdadeira fé não está pautada em sentimentos ou pensamentos abstratos, mas em uma pessoa: Jesus Cristo. Conforme nos apresenta o papa  “a fé é decidir estar com o Senhor, para viver com Ele” (Porta Fidei, 10). Esta convivência nos leva a uma profunda intimidade com o Senhor de tal forma que em certo estágio da vida podemos afirmar como diz São Paulo “já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim”. (Gl 2,20)
Para alcançarmos esta íntima ligação com Cristo faz se necessário ultrapassar a barreira da dicotomia entre fé e vida. Não se admite professar com os lábios uma coisa e viver de uma forma totalmente diferente. Não foi diferente no início do cristianismo e muito mais agora, conforme escreve São Tiago: "Mostre-me a sua fé sem obras, e eu lhe mostrarei a minha fé pelas obras (Tg 2,18). Fé e vida não são duas coisas estranhas uma à outra, mas estão altamente entrelaçadas e, portanto, devem caminhar juntas.
Reavivar a fé, aprofundar seu conteúdo, dar testemunho da alegria de crer é um desafio a todos nós. Precisamos testemunhar com alegria quem nós cremos. A jornada mundial da juventude que acontecerá em julho do próximo ano no Rio de Janeiro é uma oportunidade para que os jovens apresentem ao mundo as razões da sua fé, da sua alegria em servir ao Senhor. Neste sentido, é importante que os nossos jovens sejam reanimados na missão e levem a todos o evangelho e a cruz, que é o sinal supremo do amor de Deus pela humanidade. O seguimento a Cristo é sempre uma fonte de alegria contagiante capaz de mover montanhas e transformar aquilo que está ao nosso redor. Seguir a Cristo não pode se tornar um peso pesado e fatigante, pelo contrário, deve ser sempre um motivo de satisfação interior, um prazer que nenhuma outra realidade desta vida será capaz de nos oferecer. Crer em Jesus é comprometer-se com Ele e colocar-se à sua disposição, colocando nele sua confiança.
A fé nos faz sair de nós mesmos e ir ao encontro dos irmãos. Professar a fé em Cristo é pôr os pés e as mãos a serviço do próximo. O amor nos impele a irmos ao encontro do outro e, se for necessário, dar a vida para que este se sinta feliz e viva com a dignidade que Deus deseja. Como nos diz Madre Tereza “que nenhuma pessoa passe por nossa vida sem que antes tenha se sentido melhor e mais feliz”. A missão do cristão ultrapassa as barreiras de qualquer assistencialismo, porque a fé se traduz numa total doação e empatia pelos irmãos, principalmente aqueles que mais precisam da nossa ajuda. Afinal, “a fé sem a caridade não dá fruto, e a caridade sem a fé seria um sentimento constantemente à mercê da dúvida. Fé e caridade reclamam-se mutuamente, de tal modo que uma consente à outra realizar o seu caminho” (Porta Fidei, 14).
Observando o exemplo de vida de tantos santos e santas que ao longo da história deram testemunho da sua fé, queremos apresentar aos homens e mulheres de hoje a nossa fé em Jesus Cristo, acolhendo os seus ensinamentos e promovendo a sempre a vida como um dom de Deus. Afinal, somos discípulos e missionários do Reino e mesmo diante das dificuldades do tempo presente a Santa Palavra nos reanima e nos garante que unidos a Cristo, venceremos! Finalmente, queremos pedir: "fica conosco, Senhor" (Lc 24,29), e nos sustenta  na missão com o vosso Pão da Vida e com a vossa Palavra.




Sem. Antonio Nilson
Membro do Instituto Divino Mestre
3° ano de Filosofia

quinta-feira, 11 de outubro de 2012





Bento XI abre o Ano da Fé: "Redescobrir a alegria de crer!"


Cidade do Vaticano (RV) - Exatamente cinquenta anos depois da abertura do Concílio Vaticano II, o Papa celebrou na manhã desta quinta-feira, 11, a abertura do Ano da Fé, por ele convocado com o objetivo da Nova Evangelização e com o olhar dirigido ao futuro e ao novo legado do Concílio.

Bento XVI presidu a Missa com um total de 400 concelebrantes: 80 cardeais, 14 padres conciliares, 8 patriarcas de Igrejas orientais, 191 arcebispos e bispos sinodais e 104 Presidentes de Conferências Episcopais de todo o mundo. Estavam também presentes na Praça São Pedro Bartolomeu I, Patriarca Ecumênico de Constantinopla, e o Primaz da Comunhão Anglicana, Rowan Williams.

O Papa iniciou sua homilia explicando que a celebração desta manhã foi enriquecida com alguns sinais específicos: a procissão inicial, recordando a memorável entrada solene dos padres conciliares nesta Basílica; a entronização do Evangeliário, cópia do utilizado durante o Concílio; e a entrega, no final da celebração, das sete mensagens finais do Concílio e do Catecismo da Igreja Católica.

Bento XVI disse que o Ano da fé tem uma relação coerente com todo o caminho da Igreja ao longo dos últimos 50 anos: desde o Concílio, passando pelo Magistério do Servo de Deus Paulo VI, que proclamou um "Ano da Fé", em 1967, até chegar ao o Grande Jubileu do ano 2000, com o qual o Bem-Aventurado João Paulo II propôs novamente a toda a humanidade Jesus Cristo como único Salvador, ontem, hoje e sempre.

Lembrando aquele dia, Bento XVI evocou o Bem-Aventurado João XXIII no Discurso de Abertura do Concílio Vaticano II, quando apresentou sua finalidade principal: “que o depósito sagrado da doutrina cristã fosse guardado e ensinado de forma mais eficaz”. Papa Ratzinger revelou aos presentes o que experimentou: “uma tensão emocionante em relação à tarefa de fazer resplandecer a verdade e a beleza da fé no nosso tempo, sem sacrificá-la frente às exigências do presente, nem mantê-la presa ao passado”.

Para o Papa, o mais importante, especialmente numa ocasião tão significativa como a atual, é reavivar na Igreja “aquela mesma tensão positiva, aquele desejo ardente de anunciar novamente Cristo ao homem contemporâneo, sempre apoiado na base concreta e precisa, que são os documentos do Concílio Vaticano II”.

A referência aos documentos protege dos extremos tanto de nostalgias anacrônicas como de avanços excessivos, permitindo captar a novidade na continuidade. O Concílio não excogitou nada de novo em matéria de fé, nem quis substituir aquilo que existia antes. Pelo contrário, preocupou-se em fazer com que a mesma fé continue a ser vivida no presente, continue a ser uma fé viva em um mundo em mudança”.

De fato – prosseguiu o Pontífice – “os Padres conciliares quiseram abrir-se com confiança ao diálogo com o mundo moderno justamente porque eles estavam seguros da sua fé, da rocha firme em que se apoiavam. Contudo, nos anos seguintes, muitos acolheram acriticamente a mentalidade dominante, questionando os próprios fundamentos do ‘depositum fidei’ a qual infelizmente já não consideravam como própria diante daquilo que tinham por verdade”.

Portanto, “se a Igreja hoje propõe um novo Ano da Fé e a nova evangelização, não é para prestar honras, mas porque é necessário, mais ainda do que há 50 anos!” – exclamou. “Nas últimas décadas, observamos o avanço de uma "desertificação" espiritual, mas, no entanto, é precisamente a partir da experiência deste vazio que podemos redescobrir a alegria de crer, a sua importância vital para nós homens e mulheres. E no deserto existe, sobretudo, necessidade de pessoas de fé que, com suas próprias vidas, indiquem o caminho para a Terra Prometida, mantendo assim viva a esperança. A fé vivida abre o coração à Graça de Deus, que liberta do pessimismo”.

Este, portanto – concluiu Bento XVI – é o modo como podemos representar este ano da Fé: "uma peregrinação nos desertos do mundo contemporâneo, em que se deve levar apenas o que é essencial: nem cajado, nem sacola, nem pão, nem dinheiro, nem duas túnicas - como o Senhor exorta aos Apóstolos ao enviá-los em missão - mas sim o Evangelho e a fé da Igreja, dos quais os documentos do Concílio Vaticano II são uma expressão luminosa, assim como o Catecismo da Igreja Católica, publicado há 20 anos".

Por fim, o Papa recordou que no dia 11 de outubro de 1962, celebrava-se a festa de Santa Maria, Mãe de Deus. “Que a Virgem Maria brilhe sempre qual estrela no caminho da nova evangelização. Que Ela nos ajude a pôr em prática a exortação do Apóstolo Paulo: ‘A palavra de Cristo, em toda a sua riqueza, habite em vós. Ensinai e admoestai-vos uns aos outros, com toda a sabedoria... Tudo o que fizerdes, em palavras ou obras, seja feito em nome do Senhor Jesus. Por meio dele dai graças a Deus Pai’”.


fonte:http://pt.radiovaticana.va/