segunda-feira, 25 de julho de 2016

Papa promulga documento dedicado à vida contemplativa feminina

“A busca da face de Deus” (Vultum Dei Quaerere) é o título da Constituição Apostólica assinada pelo Papa Francisco ededicada à vida contemplativa feminina. O documento, publicado esta sexta-feira (22/07), indica 12 temas de reflexão para a vida consagrada e se conclui com 14 orientações.

Faróis e centelhas da humanidade

Às contemplativas, o Papa lança um desafio: ser “faróis e centelhas” que guiam e acompanham o caminho da humanidade, oferecendo o Evangelho ao mundo contemporâneo. O Pontífice as exorta a vencer com tenacidade as tentações, em especial “a tentação que degenera em apatia, rotina, desmotivação e indiferença paralisante”.


Formação e oração

Francisco convida a “discernir” sobre 12 temas da vida consagrada. O primeiro é a formação, “que requer uma contínua conversão a Deus” e um período que varia de 9 a 12 anos. Os mosteiros não devem se deixar levar pela tentação do número e da eficiência, adverte o Papa. Depois, há a oração, “espinha dorsal da vida consagrada”, que não deve ser vivida como um fechamento da vida monástica em si mesma, mas como um alargamento do coração “para abraçar toda a humanidade”, em especial os que mais sofrem.


Lectio divina, Eucaristia e Reconciliação

A Palavra de Deus é outro tema central, que deve marcar o dia pessoal e comunitário das contemplativas através da lectio divina, para depois se transformar em actio, “dom para os outros na caridade”. A Constituição Apostólica recorda ainda a importância da Eucaristia e da Reconciliação, sugerindo “prolongar a celebração com a adoração eucarística” e viver a prática da penitência como “ocasião privilegiada para contemplar a face misericordiosa do Pai” e se tornar, assim, “instrumentos de reconciliação, de perdão e de paz” de que o mundo hoje necessita particularmente.


Vida comunitária e autonomia dos mosteiros

O quinto tema indicado pelo documento é a vida fraterna em comunidade, testemunho mais necessário do que nunca “numa sociedade marcada por divisões e desigualdades”. “É possível e belo viver juntos, não obstante as diferenças de geração, formação e cultura”, porque “unidade e comunhão não significam uniformidade”. O sexto tema diz respeito à autonomia dos mosteiros, que não deve significar “independência ou isolamento”, escreve o Papa, exortando as contemplativas a não adoecerem de “autorreferencialidade”.


As federações e a clausura

O sétimo tema ressalta a importância das Federações como “estruturas de comunhão entre mosteiros que compartilham o mesmo carisma”, sugerindo sua criação e multiplicação. O oitavo tema, ao invés, é relativo à clausura, “sinal da união exclusiva da Igreja esposa com o seu Senhor”.


O trabalho e o silêncio

O Papa destaca ainda o trabalho que as contemplativas devem realizar “com devoção e fidelidade”, sem se deixar condicionar pela mentalidade da cultura contemporânea, que aposta na eficiência. O trabalho deve ser entendido como “serviço à humanidade e solidariedade para com os pobres”. Já o silêncio é “escuta e ruminatio da Palavra”, “vazio de si para fazer espaço ao acolhimento”, silêncio “rico de caridade”, que “ouve Deus e o grito da humanidade”.


A cultura digital e os meios de comunicação


Consciente das transformações da sociedade e da “cultura digital”, que “influi de modo decisivo na formação do pensamento e no modo de se relacionar com o mundo”, Francisco propõe como 11º tema os meios de comunicação. “Instrumentos úteis para a formação e a comunicação”, o Papa todavia exorta as contemplativas a “um discernimento prudente” para que esses meios não sejam ocasião de “evasão da vida fraterna”, danificando a vocação e dificultando a contemplação.


A ascese rumo a Deus

Por fim, o último tema é ascese: “sinal eloquente de fidelidade” num mundo globalizado e sem raízes, exemplo de como ficar ao lado do próximo mesmo diante de diversidades, tensões, conflitos e fragilidades”. A ascese não é uma fuga do mundo “por medo” – destaca Francisco –, porque as monjas “continuam a estar no mundo sem ser do mundo”. Intercedendo “constantemente pela humanidade” junto ao Senhor, ouvindo “o clamor” de quem é “vítima da cultura do descarte”, as contemplativas são o “degrau” através do qual Deus desce ao encontro do homem e o homem sobe para o encontro com Deus.


Recrutamento de candidatas

A Conclusão da Constituição Apostólica se divide em 14 artigos que, de fato, definem em termos jurídicos o que foi dito pelo Pontífice precedentemente. Em especial, o art. 3 estabelece que se deve absolutamente evitar o recrutamento de candidatas de outros países com a única finalidade de garantir a sobrevivência do mosteiro. O art. 8 traz a lista dos requisitos necessários para a autonomia jurídica de uma comunidade, entre os quais a capacidade formativa e de gestão, a inserção na Igreja local e a possibilidade de subsistência. Caso não haja esses requisitos, a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada “avaliará a oportunidade de constituir uma comissão ad hoc” para “uma revitalização do mosteiro ou o seu fechamento”.


Obrigação inicial de pertencer a uma Federação

O art. 9 estabelece que “inicialmente todos os mosteiros deverão pertencer a uma Federação”. Se isto não for possível, o mosteiro deverá pedir a permissão da Santa Sé, à qual compete um “discernimento adequado”. Por fim, no art. 14 afirma-se que caberá à Congregação para os Institutos de Vida Consagrada emanar indicações práticas, aprovadas pela Santa Sé, de acordo com os carismas das várias famílias monásticas.


https://w2.vatican.va/content/francesco/it/apost_constitutions/documents/papa-francesco_costituzione-ap_20160629_vultum-dei-quaerere.html

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Carta ao jovem católico sozinho na missa



Caro jovem católico,

Só porque você tem que fazer algo, não quer dizer que seja fácil, nem que você tenha que fazê-lo sozinho ou sem apoio. Há ocasiões em que é difícil ser católico. Quando você sente que é a única pessoa em todo o mundo que acredita no que acredita. Ou quando as expectativas depositadas em você são enormes e impossíveis. Há ocasiões em que nadar contra a corrente da sociedade é simplesmente exaustivo, em que a fé é confusa ou em que a santidade parece não ter nenhuma recompensa.

Talvez a sua fé seja uma grande luta nesse momento. Talvez você não consiga ver a relevância dela na sua vida. Talvez tudo esteja indo bem para você, mas a fé pareça ser uma obrigação. Ou talvez, ultimamente, tudo esteja desabando ao seu redor e Deus pareça distante, frio e silencioso. Talvez a raiva e a dor estejam obscurecendo tudo e você não consiga enxergar o seu futuro. Ou talvez você saiba que a sua fé significa tudo para você, mas o preço que paga por ela é maior do que jamais imaginou e não há ninguém além de você para apoiá-lo ou encorajá-lo.

Pode ser que tudo o que você sinta seja autopiedade pelas vezes em que cometeu erros. Talvez você esteja cansado de se explicar, ou de desistir de relacionamentos quando se recusa a comprometer o seu valor próprio. Talvez você tenha experimentado tamanha rejeição pelo fato de ser católico que pense não ter mais nada a oferecer a mais ninguém. Talvez sinta falta de amigos que compartilhem a sua fé, que compreendam quem você é e por que acredita nessas coisas. Talvez você deseje ter alguém com quem possa ir à Missa, com quem possa rezar e para quem possa explicar as suas dúvidas e dificuldades. Talvez você esteja exausto de ter que defender aquilo que é fonte de tanta alegria.

É muito duro quando não há ninguém por perto para lembrá-lo de que todo esse esforço vale a pena. É desencorajador quando mais ninguém compreende o quanto pode ser solitário ir sozinho à Missa. Ou quanta força se requer, e quanta tristeza se produz, quando você se afasta de situações que sabe não serem corretas. Talvez você esteja cansado de repetir sempre os mesmos velhos erros. É duro, eu sei que é! E eu gostaria de encorajá-lo.

Eu quero que você se lembre de que, mesmo que agora se sinta sozinho na sua fé, mesmo que esteja lutando, nós dividimos as mesmas dificuldades. Nós queremos que você se lembre da alegria e da amizade que é conhecer a Cristo. Não importa o estágio da fé em que você se encontra, persevere sempre!

Às vezes, os pequenos passos são tudo de que precisamos. Continue a rezar, mesmo que sejam somente cinco minutos por dia.

Saiba que você pode se orgulhar de ser católico. É isso o que o torna quem você é. E, como você é uma pessoa única e interessante, ser católico faz parte do rico tecido de vida que compõe a sua linda personalidade. Não é sempre que você vai estar cercado de pessoas que verão a sua fé de forma negativa. Você também encontrará pessoas que se sentirão intrigadas pela sua fé, que desejarão genuinamente conhecê-la melhor e que estão esperando pela oportunidade de compartilhar algo pessoal, algo sobre elas próprias. E você também encontrará pessoas que dirão desejar algo que você já tem, como o seu senso de propósito, o seu senso de paz, ou a sua consciência de ser amado incondicionalmente por Deus.

Eu não digo isso para criar barreiras, mas para encorajá-lo a discernir que, ainda que a sua fé às vezes pareça um fardo, haverá momentos inesperados em que ela o surpreenderá com o seu poder de bem, de criar conexões com os outros, de mudar as suas vidas. Não se esqueça do enorme poder da sua fé. Por meio de você, Deus agirá de modos incríveis e nunca esperados!

Tudo bem, eu entendo. É duro ser jovem católico. Talvez você sinta que poderia estar se saindo melhor. Talvez você apenas se sinta perdido. Espero que, só por saber que eu reconheço as suas dificuldades nesta carta, você já se sinta menos sozinho. Sim, as coisas mudam. Um dia, as lutas que você enfrenta agora não serão tão difíceis. Mesmo assim, por favor, saiba que estamos rezando por você, que o estamos encorajando e que temos os mesmos sofrimentos que você. Juntos, com Cristo e com sua mãe Maria, você vai conseguir!

Com amor e orações,

De uma jovem católica para um jovem católico

terça-feira, 19 de julho de 2016

A Biblioteca do Vaticano já está na internet


A Biblioteca Apostólica Vaticana, mais conhecida simplesmente como “Biblioteca do Vaticano”, foi criada oficialmente em 1475, embora na verdade seja muito mais antiga.

Foi em 1451, quando o Papa Nicolau V, bibliófilo (colecionador de livros), procurou tornar Roma, novamente, um centro acadêmico de importância mundial, fundando uma biblioteca relativamente modesta com mais de 1.200 volumes, que incluíam sua coleção pessoal de clássicos da antiguidade clássica grega e romana, e uma série de textos trazidos de Constantinopla.

 
Hoje, a Biblioteca do Vaticano possui cerca de 75.000 códices, 85.000 incunábulos (ou seja, as edições feitas entre a invenção da imprensa e o século XVI) e um total de mais de um milhão de livros, da era pré-cristã à contemporânea, tanto em línguas ocidentais quanto orientais, cobrindo assuntos que vão desde a literatura e a teologia, até matemática e ciências sociais, para citar alguns.
E agora tudo isso está sendo digitalizado. Pouco a pouco. E está disponível para qualquer pessoa com acesso à Internet. E gratuito para download, aliás, no formato JPEG.

 
Já podem ser consultados, neste link, manuscritos, incunábulos e códices que foram devidamente digitalizados utilizando tecnologia IIIF (International Interoperability Image Framework), que permite acesso fácil e imediato a, pelo menos, duas coleções: uma de manuscritos selecionados (os primeiros que foram digitalizados foram os mais significativos, como uma cópia de uma Bíblia prefaciada e comentada por São Jerônimo, por exemplo), e uma de códices, incluindo coleções astecas.


quinta-feira, 7 de julho de 2016

Cardeal Sarah propõe importante mudança para a Missa a partir do Advento

LONDRES, 07 Jul. 16 / 06:00 am (ACI).- O Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos no Vaticano, Cardeal Robert Sarah, propôs uma mudança importante para a celebração das Missas a partir do primeiro Domingo do Advento deste ano.

Na conferência inaugural do evento Sacra Liturgia UK 2016 que acontece em Londres entre os dias 5 e 8 de julho, o Cardeal Sarah afirmou que “é muito importante que voltemos o mais rápido possível a uma mesma direção, dos sacerdotes e de todos os fiéis na mesma direção: para o oriente ou pelo menos para o tabernáculo”.

Quando um sacerdote celebra a Missa Ad Orientem, em certas partes da Missa olha de frente para o “leste litúrgico”, ou seja, para o altar e de costas para os fiéis. Esta é uma prática comum na forma extraordinária da Missa. De frente para o povo, ou versus populum, é a prática estendida na forma ordinária da Eucaristia.

O que o Cardeal Sarah sugere, embora não de maneira oficial, seria uma mudança importante em relação à celebração da Missa, desde que o Papa Emérito Bento XVI decidiu liberar a forma extraordinária – em latim e Ad Orientem – com o motu proprio Summorum Pontificum em julho de 2007.

O Cardeal africano pediu aos sacerdotes que sejam prudentes na implementação da modificação que sugeriu ontem em Londres.

“Assim, queridos sacerdotes, peço-lhes para que implementem essa prática sempre que possível, com prudência e com a catequese necessária, certamente, mas também com a confiança pastoral de que isso é algo bom para a Igreja, algo bom para o nosso povo”, afirmou.

O Cardeal propôs que comecem “no primeiro Domingo do Advento (27 de novembro) deste ano, quando esperamos ‘o Senhor que vem’ e que não demorará a chegar”.

Na conferência, o Cardeal Sarah explicou que o Papa Francisco lhe pediu começar um estudo sobre “a reforma da reforma” para adaptar as mudanças litúrgicas do Concílio Vaticano II, e que este estudo busca “o enriquecimento das duas formas do rito romano”: a ordinária e a extraordinária.

Por que celebrar a Missa Ad Orientem?


Em 23 de maio deste ano, o Cardeal Robert Sarah concedeu uma entrevista à revista francesa ‘Famille Chretienne’, em que afirmou que “o melhor meio” para que Deus seja o centro da liturgia é “celebrar –sacerdotes e fiéis – todos na mesma direção: para o Senhor que vem. Não se trata, como se entende às vezes, de celebrar de costas para o povo ou olhando para eles. O problema não é esse”.

“Trata-se de olhar todos juntos para a abside que simboliza o oriente onde está o trono da cruz do Senhor ressuscitado”, precisou.

“Com esta maneira de celebrar, experimentaremos, também com o corpo, a primazia de Deus e da adoração. Compreenderemos que a liturgia se trata em princípio de nossa participação no sacrifício perfeito da cruz”.

Além disso, explicou o Cardeal, com o Concílio Vaticano II, “celebrar olhando ao povo se converteu em uma possibilidade, mas não é uma obrigação. A liturgia da palavra justifica que se vejam cara a cara o leitor e o povo, o diálogo e a pedagogia entre o sacerdote e seu povo. Mas como chegamos logo ao momento em que alguém se dirige a Deus – do Ofertório em diante – é essencial que o sacerdote e os fiéis olhem juntos para o Oriente. Isto corresponde exatamente ao que queriam os padres conciliares”.

“Como Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, desejo recordar que a celebração Ad Orientem está autorizada pelas rubricas, que especificam os tempos em que celebrante deve virar para o povo. Portanto, não é necessário ter uma permissão especial para celebrar olhando para o Senhor”.

Que a liturgia não seja um espetáculo


Na entrevista com ‘Famille Chretienne’, o Prefeito também disse que deseja “exortar uma grande reflexão sobre este tema para devolver a Eucaristia ao centro de nossa vida. Constato que muitas de nossas liturgias se convertem em um espetáculo”.

“Com frequência – continuou –, o sacerdote já não celebra o amor de Cristo através de seu sacrifício, mas um encontro entre amigos, uma partilha, um momento fraterno. Ao procurar inventar liturgias criativas ou festivas, corremos o risco de um culto muito humano, à altura de nossos desejos e das modas do momento”.

O Purpurado africano explicou que, com esta forma através da qual alguns sacerdotes encaram a Missa, “pouco a pouco os fiéis se afastam de quem nos dá a vida. Para os cristãos, a Eucaristia é uma questão de vida ou morte!”.

“A liturgia é a porta da nossa união com Deus. Se as celebrações eucarísticas se transformarem em autocelebrações humanas, o perigo é imenso porque Deus desaparece. Devemos começar a colocar Deus novamente no centro da liturgia”.

O Cardeal Sarah advertiu também que “se o homem for o centro da liturgia, a Igreja se converte em uma sociedade puramente humana, uma simples ONG, como disse o Papa Francisco”.

“Se, pelo contrário, Deus está no coração da liturgia, então a Igreja reencontrará seu vigor e sua seiva! ‘É na forma de tratar a liturgia que se decide a sorte da fé e da Igreja’, escreveu de maneira profética o CardealJoseph Ratzinger”.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

“Vem e segue-Me” - Brasília ganha 9 novos sacerdotes

Há pouco tempo eles eram meninos correndo pelas paróquias. Eram catequizandos aprendendo os primeiros passos na vida cristã. Eram jovens recebendo os sacramentos. Estávamos acostumados a vê-los como os demais, brincando, fazendo peraltices, rezando, sorrindo. Estavam entre nós e não sabíamos que eram separados por Deus, para uma missão maior.

Participavam da vida paroquial, da vida em suas comunidades, iam a festas, namoravam até. Eles eram, a nossos olhos, jovens comuns, com atividades normais de sua idade e também com suas peculiaridades. Mas, aos olhos de Deus, eles eram “especiais”. Estavam ali, no nosso meio, para aprender a conviver e a sobreviver no mundo. Estavam em nosso mundo, mas não pertenciam a ele.

Um dia, de modo muito particular, usando meios diversos para cada um, o Senhor, em Sua Infinita Misericórdia, disse-lhes:

“Caio, vem e segue-Me!”
“Issac, vem e segue-Me!”
“José de Paula, vem e segue-Me!”
“José Fernando, vem e segue-Me!”
“Marcelo, vem e segue-Me”
“Marcus, vem e segue-Me!”
“Mateus, vem e segue-Me!”
“Paulo Rogério, vem e segue-Me!”
“Remilson, vem e segue-Me!”

Sim, o Senhor os conhece pelo nome. Ele conhece o coração de cada um. Ele os chamou um a um, pelo nome, e esperou a resposta. E eles disseram “sim”. E o seguiram. Eram meninos quando entraram no seminário. Meninos que não sabiam exatamente o que os aguardava, mas desejavam ardentemente seguir o Senhor em sua vida sacerdotal. Queriam conformar-se a Cristo Sacerdote. Sonhavam em levar as almas a Deus. Entraram ali com suas histórias e suas esperanças. Enfrentaram provações, lutaram contra si próprios, transformaram-se em homens. Aprenderam a ser homens de Deus.

Uniram-se, de maneira mais íntima, a Nossa Senhora, Mãe que os ouvia em suas dificuldades, que os amparava nos momentos de dúvida, que lhes ensinou o valor da oração e do silêncio. Perseveraram.

Aqueles meninos, aqueles jovens que costumávamos ver em nossas comunidades, pela imposição das mãos de nosso Arcebispo, tornaram-se sacerdotes. Aquelas mãos que costumávamos ver de modo tão natural, agora ungidas, serão impostas sobre nós para nos abençoar, para ministrar os sacramentos. Serão impostas sobre o pão e o vinho para nos trazer a Eucaristia. Eles nos acompanharão e se esforçarão para nos levar pelo caminho da santidade. E nós os acompanharemos em oração, auxiliaremos em suas paróquias e estaremos ao seu lado, para que se santifiquem e nos santifiquem.

Já não os veremos mais como os víamos. Não são mais os mesmos jovens. Trazem consigo a essência daqueles meninos, daqueles jovens. De filhos, sobrinhos, amigos, transformaram-se em pais espirituais. Em agradecimento por nossas orações, por nossa amizade, por nossos sacrifícios, eles nos oferecerão o Banquete diário. Imporão suas mãos sobre nós e perdoarão nossas faltas. Ordenados no Ano da Misericórdia, já não são mais jovens comuns, mas sinal do amor e da misericórdia, da presença de Deus no meio de nós.

Hoje, esposos da Santa Igreja, iniciam a vida sacerdotal. São enviados para ser Cristo em nossas comunidades. Deixam a casa paterna, deixam o seminário e assumem a corresponsabilidade por nossa salvação. Eles seguem, tendo Jesus a sua frente e Nossa Senhora a seu lado.

Que Deus os abençoe e lhes dê a perseverança. Que eles digam seu sim diário à missão a eles reservada. Que nós não nos esqueçamos deles em nossas orações.
Por Andrea Cammarota
Fotos: Adriano Brito e Priscila Maria

http://www.arquidiocesedebrasilia.org.br/noticias.php?cod=4680

quarta-feira, 22 de junho de 2016

A fé e a alegria primordial - "A fé não é criada pelo homem" (Papa Bento XVI)



Não raras vezes, seres humanos pensam erroneamente sobre a fé – a fé que querem inventar como homens, sem perceber que “a fé não é criada pelo homem” (Papa Bento XVI), isto é, que a fé vem de fora, vem de Deus… Então, concebem como se o movimento da fé fosse desejar algo específico, um bem, um acontecimento, algo de material, e obter exatamente isso.

No momento em que pensam assim, confundem a fé com ideias como o “poder da mente”, “leis da atração”, ou similares… Como se a fé fosse uma questão de vontade, de forçar energia voluntária sobre alguma coisa, para atrair essa coisa a partir de alguma força obscura que, então, acreditam poder manipular… Pensam em Deus como sendo um provedor de seus desejos materiais, com quem dialogam apenas quando querem alguma coisa específica…

Mas não é este o nosso Criador: Deus não responde às manipulações do homem, mesmo as que são aparentemente “espirituais”, pois Deus conhece toda a profundidade do espírito. Ignora, este homem que se confunde sobre a fé, que o senso de ser apascentado como ovelha do rebanho divino, de aceitar o Senhor como o Pastor e segui-Lo, é o de entregar-se aos Seus desejos sobre nós, e não aos nossos desejos sobre Ele. Nesse sentido, é deixar-se manipular por Ele, conhecendo então a grande sorte espiritual (a segurança vital) de que Deus não conhece a manipulação maliciosa do mundo humano regido pelo pecado, pela separação e pela distorção: Deus nos manipula apenas de acordo com a Verdade, pois Deus é a Verdade.

Deus nos conduz ao reencontro com a vida verdadeira que se escondia em nós, quando, anteriormente, tomados pela mentira, ainda a manipulávamos. Seguindo o caminho de Deus, reconhecemos que parar de manipular a vida, com mentira e malícia, é entregar a vida à verdade, pois é à Verdade que Deus, o Pastor, conduz suas ovelhas, e a fé é o que liga as ovelhas ao Pastor, que reencaminha os homens a Deus.

Sem a fé, o caminho se obscurece, nos perdemos, nos desviamos, nos separamos da vida, ou seguimos rotas de engano, rotas fadadas ao fracasso, pois são as rotas daqueles que esqueceram – que não sabem mais ver o caminho onde está – o Pastor, o Criador que é a fonte da água da vida, e então se dedicam à manutenção de cisternas quebradas que não seguram nenhuma água, como anunciou o profeta Jeremias.

A verdadeira fé, portanto, é uma disposição integral de espírito, um modo de viver e de doar-se à vida; uma fé que vem de Deus, e que entra caso você queira ser preenchido por ela, e o principal fruto que ela traz e gera é… mais fé.

Ainda mais fé!

É como a vida, que gera mais vida, que se multiplica enquanto Vida.

A fé se multiplica enquanto fé…

E o que ela traz, também, quando se multiplica em nós como fé, é uma indescritível e profunda alegria espiritual, uma alegria que não tem objeto – que não é por ter conseguido essa ou aquela conquista material, mesmo que conquistas materiais possam haver e sejam bem-vindas – mas a alegria por ter encontrado, reconhecido e sentido a Presença da única fonte de todas as genuínas alegrias: Deus, a fonte das águas da vida.

Viver é também se alegrar por estar vivo: este alegrar-se faz parte da própria existência da vida e de seus movimentos intrínsecos, da fonte divina. A alegria por sentir-se vivo, e por sentir-se purificado pela própria vida, este é o sentido da vida. Sentir a vida, em sua presença integral, preenchida do Santo Espírito, dispensa qualquer interrogação intelectual e filosófica sobre o sentido da vida. A vida só não tem mais sentido, esvazia-se dele, e demanda uma investigação sobre isso, quando não pode mais ser sentida em si mesma. Mas quando é sentida como vida viva, não separada de si mesma, nos faz conhecer Deus diretamente, Aquele de quem a Vida é um dom, e somos de novo preenchidos por sua Alegria primordial. Quão alegre Deus deve ter sentido a Si Mesmo quando criou a Vida! Tentem imaginar essa Alegria, a Alegria da Criação!

Quando recebemos a bênção de acessar um pedaço sequer dessa Alegria, que aparece e nos visita quando temos proximidade com Deus, O obedecemos e reconhecemos a nossa criaturalidade; que nos chega com a genuína fé, e a fé então se multiplica em nós como mais fé – como uma nascente aberta, fazendo fluir o dom inesgotável do Deus Vivo – podemos entender as fortíssimas emoções que sentia o Rei Davi, quando dançava, compunha e cantava seus Salmos em adoração ao seu Senhor.

“Ó, Senhor, como são grandes os seus trabalhos, e seus pensamentos são muito profundos” (Salmo 92,5).

Missas de cura e libertação: o que a Igreja diz? Uma pergunta que todo católico precisa saber responder


No Missal Romano, há uma seção intitulada “Missas para diversas necessidades”, a qual pode ser utilizada para diversas finalidades particulares. Existem ainda as Missas especiais de Rogações, as Missas para as Quatro Têmporas e uma Missa “pelos enfermos”. Mas e Missas para “curar e libertar”? Roma jamais promulgou um próprio para uma Missa deste tipo. Por tanto, se não há no Missal Romano um próprio para que se celebre tal culto, não se deve celebrá-lo.

Poderíamos argumentar que “toda Missa cura e liberta”, uma vez que basta o Milagre Eucarístico e a comunhão para sanar todos os males, mas ao que parece este mesmo argumento se vê ultrapassado uma vez que há padres utilizando-se de argumentos espertos que vão desde “estas Missas se celebram de uma forma diferente” até “dinâmicas” que são introduzidas ao gosto do freguês, mesmo sem negar a natureza curativa e libertadora do Sacrifício de Cristo.

Os dois argumentos acima são falhos e criminosos em si mesmos, mas não é deles que trataremos. Definamos então as características básicas de uma Missa de Cura e libertação e analisemos se sua natureza condiz ou não com a Doutrina da Igreja. Nestas Missas são introduzidos:
Orações por cura e libertação;
Cantos emotivos e não litúrgicos;
Homilias artificiais, escandalosas e destoantes da Liturgia da Palavra no dia;
Novos momentos na ação litúrgica;
Exposição do Santíssimo Sacramento no ostensório ainda durante a Missa, e;
Gestos alheios às prescrições do Missal Romano.

Reconhecidas estas introduções, analisemos então.

[...]

Assim, cremos ter justificado conforme o ensinamento da Igreja que: não, Missa de Cura e Libertação NÃO PODE.