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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Casa de Eventos e Retiros


Neste ano de 2017, nossa casa vem passando por mudanças administrativas.

O espaço que antes era administrado pela Cáritas Brasileira agora está sob direção do Instituto Bíblico Divino Mestre. 
A casa está sendo preparada para acolher grupos religiosos, equipes de trabalho, grupos escolares etc. em eventos de qualquer natureza.
Dispomos de quartos equipados com cama, ventilador e Tv. Nas nossas instalações, há auditório climatizado, amplo refeitório, espaço verde, varanda para confraternização, capela para Santa Missa e momentos de oração.


Realize seu evento na nossa casa.

Mais informações pelo e-mail: reservasdivinomestre@gmail.com

Reforma da Capela


Entre os meses de novembro e dezembro de 2016, nossa capela em honra a São João Paulo II passou por uma reforma voltada especialmente para o presbitério e a sacristia, concluída como parte das festividades de 60 anos de ordenação presbiteral de nosso fundador, Dom João Evangelista Martins Terra.

Para acompanhar essa reforma, veja as fotos disponíveis no álbum no Facebook.

Agradecemos a cada um que colaborou para que essa obra chegasse ao fim e contamos com suas orações para que possamos prosseguir com os reparos necessários em nossa casa.


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Movimento Sacerdotal Mariano


Origem

A 8 de Maio de 1972, o Pe. Stefano Gobbi participa de uma peregrinação à Fátima e na Capelinha das Aparições põe-se a rezar por alguns Sacerdotes, que para além de traírem a própria vocação, tentam formar associações rebeldes à autoridade da Igreja.
Interiormente, uma força o impele a confiar em Maria. Servindo-se dele, como de um humilde e pobre instrumento, Nossa Senhora acolherá todos os Sacerdotes que aceitarem o convite para se consagrarem ao seu Coração Imaculado, para permanecerem fortemente ligados ao Papa e à Igreja a ele unida e conduzirem os fiéis ao seguro refúgio de seu Coração Materno.
Formar-se-ia, assim, um poderoso exército, difundido por todas as partes do mundo e reunido, não com meios humanos de propaganda, mas com a força sobrenatural que brota do silêncio, da oração, do sofrimento e da fidelidade constante aos próprios deveres.
Pe. Gobbi pediu, interiormente, a Nossa Senhora, um pequeno sinal de confirmação e Ela, antes do fim daquele mesmo mês, pontualmente lho deu em Nazaré, no Santuário da Anunciação.
Origina-se, então, o Movimento Sacerdotal Mariano desta simples e interior inspiração que, em Fátima, o Pe. Stefano Gobbi teve em oração.
Mas, como se concretizaria isto?
Em outubro do mesmo ano, tentou-se um tímido encaminhamento, com um encontro de oração e amizade entre três Sacerdotes na paróquia de Gera Lario (diocesede Como): deu-se notícia deste Movimento em alguns jornais e revistas católicas.
Em março de 1973 eram cerca de quarenta os sacerdotes inscritos. Em setembro do mesmo ano, dos oitenta padres já inscritos, 25 participaram no primeiro encontro nacional em São Vitorino, próximo de Roma. Em 1974 iniciaram-se os primeiros Cenáculos de oração e fraternidade entre os Sacerdotes e fiéis; progressivamente, difundiram-se na Europa e em todas as partes do mundo.
Até ao final de 1990, o Pe. Stefano Gobbi visitou várias vezes os cinco continentes, para presidir aos Cenáculos regionais, completando 600 voos de avião além de numerosas viagens de carro e comboio. E fez 1.446 Cenáculos, dos quais 693 na Europa, 485 na América, 97 na África, 91 na Ásia e 80 na Oceânia.
Isto constitui uma prova da admirável difusão do Movimento por todo mundo, durante estes anos.

 

Difusão


O Movimento Sacerdotal Mariano tem-se difundido de uma maneira silenciosa e extraordinária. Em quase todas as nações da Europa, América, Ásia, África e Oceânia, há responsáveis nacionais encarregados de recolher as adesões, organizar e acompanhar os Cenáculos.

A eles também é confiada a nomeação dos vários responsáveis regionais e diocesanos, cuidando que tudo se realize com a maior fidelidade ao Espírito do Movimento.
Face à autonomia que se dá aos Centros Nacionais, não é fácil levantar uma estatística precisa. Isto, porém, não é de grande importância, pois estamos diante de "um espírito" que foge aos controles externos e se realiza na medida em que cada Sacerdote que aderiu ao Movimento procura viver todos os dias a sua consagração a Maria.
Pelas poucas de inscrição recebidas, os que aderiram seriam agora, cerca de 500 Bispos, mais de 100,000 Sacerdotes do clero diocesano e de todas as Ordens e Congregações religiosas.
Para os leigos, não havendo uma inscrição propriamente dita, não se pode avaliar o seu número nem mesmo aproximado, ainda que com certeza se trate de milhões.
É gratificante também constatar a existência de uma longa lista de sacerdotes simpatizantes, que não se inscreveram ainda no Movimento, mas demonstram a sua solidariedade de vários modos e em várias ocasiões. O seu número é, talvez, superior ao dos inscritos. Se vivem o espírito do Movimento, mesmo que seus nomes não figurem nos elencos, realizam o que nele há de essencial.
E como, quase sem perceberem, tornaram-se uma falange numerosa, muitos Sacerdotes não conhecem ainda os confrades seus vizinhos, pertencentes ao Movimento. Isto acontece não só nas regiões, onde o MSM está apenas a começar, mas também noutros lugares. A razão deste facto deve-se à escassa organização de que se dispõe e que permanecerá como uma característica sua, e o sentido de discrição, por se tratar de uma opção espiritual, o que leva a não ser fácil dar listas e endereços a quem no-los solicite.

Constata-se, porém, em toda a parte este facto maravilhoso: Nossa Senhora, através dos Cenáculos de oração e de fraternidade, faz com que os seus Sacerdotes se conheçam, se ajudem, se amem como irmãos e se tornem força de coesão entre todo o clero.
Pela consoladora realidade da Comunhão dos Santos, sentem-se como membros ainda activos e até mais próximos de nós, os Sacerdotes que nos precederam na eternidade.
Há Cardeais – o primeiro deles a inscrever-se foi Giacomo Lercaro, então Arcebispo de Bolonha –, muitos Bispos: lembramos entre outros Mons. João Venâncio Pereira, Bispo de Leiria e de Fátima, que se inscreveu em 1973 e morreu em 1985 e mais de 5.000 Padres que enriqueceram os seus últimos anos de vida por intenso apostolado ou pela doença, acolhendo e vivendo no MSM o convite de Nossa Senhora.
Apraz-nos lembrar, entre eles, um Servo de Deus; Pe. Gabriel Allegra, notável biblista e tradutor da Sagrada Escritura em língua chinesa. cujo trabalho final foi traduzir em chinês o livro "Nossa Senhora aos Sacerdotes, seus filhos predilectos".
Em sua rápida e capilar difusão o MSM encontrou menos dificuldades do que se podia temer.
Sendo sua característica peculiar a fidelidade à Igreja e a obediência ao legítimos Superiores, onde estes, sobretudo tratando-se de Bispos, mostravam-se benévolos e encorajadores, tudo era feito com grande facilidade. Foi preciso mais paciência, onde a autoridade se nos mostrou perplexa ou indiferente.
Percebe-se a presença vigilante e iluminadora de Nossa Senhora, sobretudo como guia de seu Movimento. Ela conforta nas dificuldades, freia toda euforia, ensina a usar corajosamente a liberdade dos filhos de Deus e ao mesmo tempo, impede-nos de assumir atitudes contrárias ou rebeldes com os Superiores, o que estaria em contradição com o segundo ponto-base do MSM: Amor ao Papa e a Hierarquia a ele unida.

Fonte: http://www.movimentosacerdotalmariano.org/

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Papa dá conselhos a seminaristas sobre ser um bom sacerdote

Em encontros com seminaristas no Vaticano, Papa deu conselhos sobre  ser um bom sacerdote, o que inclui simplicidade e misericórdia

Da Redação, com Rádio Vaticano
Que os padres sejam simples, evitem todo tipo de duplicidade e não procurem o próprio interesse. Essas foram algumas das palavras que o Papa Francisco dirigiu aos seminaristas do Pontifício Seminário Lombardo, recebidos em audiência nesta segunda-feira, 25, no Vaticano, por ocasião dos 50 anos de fundação. O Papa deu a eles conselhos sobre ser um bom sacerdote.
Francisco convidou os padres a serem pastores para o povo, principalmente para os mais pobres; devem ser padres segundo o coração de Deus, não segundo as preferências de cada um ou as “modas” do momento.
O Santo Padre também alertou sobre algumas tentações que se colocam aos sacerdotes, como aquela de se conformar com a normalidade. “A ‘normalidade’ para nós é a santidade pastoral, o dom da vida. Se um sacerdote escolhe ser só uma pessoa normal, será um sacerdote medíocre ou pior”.

Homens espirituais e pastores misericordiosos

Como modelo para os seminaristas, o Papa indicou São Carlos Borromeu, padre jesuíta cuja vida foi um constante movimento de conversão. O santo dizia que só pode anunciar palavras de vida quem faz da própria vida um diálogo constante com a Palavra de Deus.
“Nestes anos, foi confiada a vocês a missão de treinar para este diálogo de vida, de forma que o conhecimento das várias disciplinas que vocês estudaram não são fins em si mesmas, mas devem ser concretizadas no diálogo da oração e no encontro real com as pessoas”.
Na formação dos padres, o Papa destacou que oração, cultura e pastoral são pedras de um único edifício e devem estar sempre unidas para que os sacerdotes de hoje e de amanhã sejam homens espirituais e pastores misericordiosos. Além disso, a simplicidade da vida também é um caminho essencial.
“Simplicidade de vida, que evite toda forma de duplicidade e mundanidade, à qual baste a comunhão genuína com o Senhor e com os irmãos; simplicidade de linguagem; não pregadores de doutrinas complexas, mas anunciadores de Cristo, morto e ressuscitado por nós”.
Outro ponto destacado pelo Papa foi a necessidade, para um bom padre, do contato e da proximidade com o bispo. “Um sacerdote que não tenha uma relação assídua com o seu bispo lentamente se isola do corpo diocesano e a sua fecundidade diminui, justamente porque não exercita o diálogo com o Pai da Diocese”.
Francisco encorajou os seminaristas a cultivar a beleza da amizade e a arte de estabelecer relações, para criar uma fraternidade sacerdotal mais forte que as adversidades particulares.

Fonte: http://papa.cancaonova.com/papa-da-conselhos-a-seminaristas-sobre-ser-um-bom-sacerdote/

sábado, 16 de janeiro de 2016

Isto é o que diz o Papa Francisco sobre os homossexuais em novo livro

Capa do livro entrevista com o Papa

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013


Mensagem do Papa Bento XVI para a Quaresma 2013

Crer na caridade suscita caridade

"Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele" (1Jo 4,16).


Queridos irmãos e irmãs!

A celebração da Quaresma, no contexto do Ano da fé, proporciona-nos uma preciosa ocasião para meditar sobre a relação entre fé e caridade: entre o crer em Deus, no Deus de Jesus Cristo, e o amor, que é fruto da ação do Espírito Santo e nos guia por um caminho de dedicação a Deus e aos outros.

1. A fé como resposta ao amor de Deus

Na minha primeira Encíclica, deixei já alguns elementos que permitem individuar a estreita ligação entre estas duas virtudes teologais: a fé e a caridade. Partindo duma afirmação fundamental do apóstolo João: "Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele" (1 Jo 4, 16), recordava que, "no início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo. (...) Dado que Deus foi o primeiro a amar-nos (cf. 1 Jo 4, 10), agora o amor já não é apenas um 'mandamento', mas é a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro" (Deus caritas est, 1). A fé constitui aquela adesão pessoal - que engloba todas as nossas faculdades - à revelação do amor gratuito e "apaixonado" que Deus tem por nós e que se manifesta plenamente em Jesus Cristo. O encontro com Deus Amor envolve não só o coração, mas também o intelecto: "O reconhecimento do Deus vivo é um caminho para o amor, e o sim da nossa vontade à d’Ele une intelecto, vontade e sentimento no ato globalizante do amor. Mas isto é um processo que permanece continuamente a caminho: o amor nunca está 'concluído' e completado" (ibid., 17). Daqui deriva, para todos os cristãos e em particular para os "agentes da caridade", a necessidade da fé, daquele "encontro com Deus em Cristo que suscite neles o amor e abra o seu íntimo ao outro, de tal modo que, para eles, o amor do próximo já não seja um mandamento por assim dizer imposto de fora, mas uma consequência resultante da sua fé que se torna operativa pelo amor" (ibid., 31). O cristão é uma pessoa conquistada pelo amor de Cristo e, movido por este amor - "caritas Christi urget nos" (2 Cor 5, 14) - , está aberto de modo profundo e concreto ao amor do próximo (cf. ibid., 33). Esta atitude nasce, antes de tudo, da consciência de ser amados, perdoados e mesmo servidos pelo Senhor, que Se inclina para lavar os pés dos Apóstolos e Se oferece a Si mesmo na cruz para atrair a humanidade ao amor de Deus.

"A fé mostra-nos o Deus que entregou o seu Filho por nós e assim gera em nós a certeza vitoriosa de que isto é mesmo verdade: Deus é amor! (...) A fé, que toma consciência do amor de Deus revelado no coração trespassado de Jesus na cruz, suscita por sua vez o amor. Aquele amor divino é a luz – fundamentalmente, a única - que ilumina incessantemente um mundo às escuras e nos dá a coragem de viver e agir" (ibid., 39). Tudo isto nos faz compreender como o procedimento principal que distingue os cristãos é precisamente "o amor fundado sobre a fé e por ela plasmado" (ibid., 7).

2. A caridade como vida na fé

Toda a vida cristã consiste em responder ao amor de Deus. A primeira resposta é precisamente a fé como acolhimento, cheio de admiração e gratidão, de uma iniciativa divina inaudita que nos precede e solicita; e o "sim" da fé assinala o início de uma luminosa história de amizade com o Senhor, que enche e dá sentido pleno a toda a nossa vida. Mas Deus não se contenta com o nosso acolhimento do seu amor gratuito; não Se limita a amar-nos, mas quer atrair-nos a Si, transformar-nos de modo tão profundo que nos leve a dizer, como São Paulo: Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim (cf. Gl 2, 20).

Quando damos espaço ao amor de Deus, tornamo-nos semelhantes a Ele, participantes da sua própria caridade. Abrirmo-nos ao seu amor significa deixar que Ele viva em nós e nos leve a amar com Ele, n'Ele e como Ele; só então a nossa fé se torna verdadeiramente uma "fé que atua pelo amor" (Gl 5, 6) e Ele vem habitar em nós (cf. 1 Jo 4, 12).

A fé é conhecer a verdade e aderir a ela (cf. 1 Tm 2, 4); a caridade é "caminhar" na verdade (cf. Ef 4, 15). Pela fé, entra-se na amizade com o Senhor; pela caridade, vive-se e cultiva-se esta amizade (cf. Jo 15, 14-15). A fé faz-nos acolher o mandamento do nosso Mestre e Senhor; a caridade dá-nos a felicidade de pô-lo em prática (cf. Jo 13, 13-17). Na fé, somos gerados como filhos de Deus (cf. Jo 1, 12-13); a caridade faz-nos perseverar na filiação divina de modo concreto, produzindo o fruto do Espírito Santo (cf. Gl 5, 22). A fé faz-nos reconhecer os dons que o Deus bom e generoso nos confia; a caridade fá-los frutificar (cf. Mt 25, 14-30).

3. O entrelaçamento indissolúvel de fé e caridade

À luz de quanto foi dito, torna-se claro que nunca podemos separar e menos ainda contrapor fé e caridade. Estas duas virtudes teologais estão intimamente unidas, e seria errado ver entre elas um contraste ou uma "dialética". Na realidade, se, por um lado, é redutiva a posição de quem acentua de tal maneira o carácter prioritário e decisivo da fé que acaba por subestimar ou quase desprezar as obras concretas da caridade reduzindo-a a um genérico humanitarismo, por outro é igualmente redutivo defender uma exagerada supremacia da caridade e sua operatividade, pensando que as obras substituem a fé. Para uma vida espiritual sã, é necessário evitar tanto o fideísmo como o ativismo moralista.

A existência cristã consiste num contínuo subir ao monte do encontro com Deus e depois voltar a descer, trazendo o amor e a força que daí derivam, para servir os nossos irmãos e irmãs com o próprio amor de Deus. Na Sagrada Escritura, vemos como o zelo dos Apóstolos pelo anúncio do Evangelho, que suscita a fé, está estreitamente ligado com a amorosa solicitude pelo serviço dos pobres (cf. At 6, 1-4). Na Igreja, devem coexistir e integrar-se contemplação e ação, de certa forma simbolizadas nas figuras evangélicas das irmãs Maria e Marta (cf. Lc 10, 38-42). A prioridade cabe sempre à relação com Deus, e a verdadeira partilha evangélica deve radicar-se na fé (cf. Catequese na Audiência geral de 25 de Abril de 2012). De fato, por vezes tende-se a circunscrever a palavra "caridade" à solidariedade ou à mera ajuda humanitária; é importante recordar, ao invés, que a maior obra de caridade é precisamente a evangelização, ou seja, o "serviço da Palavra". Não há ação mais benéfica e, por conseguinte, caritativa com o próximo do que repartir-lhe o pão da Palavra de Deus, fazê-lo participante da Boa Nova do Evangelho, introduzi-lo no relacionamento com Deus: a evangelização é a promoção mais alta e integral da pessoa humana. Como escreveu o Servo de Deus Papa Paulo VI, na Encíclica Populorum progressio, o anúncio de Cristo é o primeiro e principal fator de desenvolvimento (cf. n. 16). A verdade primordial do amor de Deus por nós, vivida e anunciada, é que abre a nossa existência ao acolhimento deste amor e torna possível o desenvolvimento integral da humanidade e de cada homem (cf. Enc. Caritas in veritate, 8).

Essencialmente, tudo parte do Amor e tende para o Amor. O amor gratuito de Deus é-nos dado a conhecer por meio do anúncio do Evangelho. Se o acolhermos com fé, recebemos aquele primeiro e indispensável contato com o divino que é capaz de nos fazer "enamorar do Amor", para depois habitar e crescer neste Amor e comunicá-lo com alegria aos outros.

A propósito da relação entre fé e obras de caridade, há um texto na Carta de São Paulo aos Efésios que a resume talvez do melhor modo: "É pela graça que estais salvos, por meio da fé. E isto não vem de vós; é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque nós fomos feitos por Ele, criados em Cristo Jesus, para vivermos na prática das boas ações que Deus de antemão preparou para nelas caminharmos" (2, 8-10). Daqui se deduz que toda a iniciativa salvífica vem de Deus, da sua graça, do seu perdão acolhido na fé; mas tal iniciativa, longe de limitar a nossa liberdade e responsabilidade, torna-as mais autênticas e orienta-as para as obras da caridade. Estas não são fruto principalmente do esforço humano, de que vangloriar-se, mas nascem da própria fé, brotam da graça que Deus oferece em abundância. Uma fé sem obras é como uma árvore sem frutos: estas duas virtudes implicam-se mutuamente. A Quaresma, com as indicações que dá tradicionalmente para a vida cristã, convida-nos precisamente a alimentar a fé com uma escuta mais atenta e prolongada da Palavra de Deus e a participação nos Sacramentos e, ao mesmo tempo, a crescer na caridade, no amor a Deus e ao próximo, nomeadamente através do jejum, da penitência e da esmola.

4. Prioridade da fé, primazia da caridade

Como todo o dom de Deus, a fé e a caridade remetem para a ação do mesmo e único Espírito Santo (cf. 1 Cor 13), aquele Espírito que em nós clama:"Abbá! – Pai!" (Gl 4, 6), e que nos faz dizer: "Jesus é Senhor!" (1 Cor 12, 3) e "Maranatha! – Vem, Senhor!" (1 Cor 16, 22; Ap 22, 20).

Enquanto dom e resposta, a fé faz-nos conhecer a verdade de Cristo como Amor encarnado e crucificado, adesão plena e perfeita à vontade do Pai e infinita misericórdia divina para com o próximo; a fé radica no coração e na mente a firme convicção de que precisamente este Amor é a única realidade vitoriosa sobre o mal e a morte. A fé convida-nos a olhar o futuro com a virtude da esperança, na expectativa confiante de que a vitória do amor de Cristo chegue à sua plenitude. Por sua vez, a caridade faz-nos entrar no amor de Deus manifestado em Cristo, faz-nos aderir de modo pessoal e existencial à doação total e sem reservas de Jesus ao Pai e aos irmãos. Infundindo em nós a caridade, o Espírito Santo torna-nos participantes da dedicação própria de Jesus: filial em relação a Deus e fraterna em relação a cada ser humano (cf. Rm 5, 5).

A relação entre estas duas virtudes é análoga à que existe entre dois sacramentos fundamentais da Igreja: o Batismo e a Eucaristia. O Batismo (sacramentum fidei) precede a Eucaristia (sacramentum caritatis), mas está orientado para ela, que constitui a plenitude do caminho cristão. De maneira análoga, a fé precede a caridade, mas só se revela genuína se for coroada por ela. Tudo inicia do acolhimento humilde da fé ("saber-se amado por Deus"), mas deve chegar à verdade da caridade ("saber amar a Deus e ao próximo"), que permanece para sempre, como coroamento de todas as virtudes (cf. 1 Cor 13, 13).

Caríssimos irmãos e irmãs, neste tempo de Quaresma, em que nos preparamos para celebrar o evento da Cruz e da Ressurreição, no qual o Amor de Deus redimiu o mundo e iluminou a história, desejo a todos vós que vivais este tempo precioso reavivando a fé em Jesus Cristo, para entrar no seu próprio circuito de amor ao Pai e a cada irmão e irmã que encontramos na nossa vida. Por isto elevo a minha oração a Deus, enquanto invoco sobre cada um e sobre cada comunidade a Bênção do Senhor!

Vaticano, 15 de outubro de 2012.

BENEDICTUS PP XVI