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terça-feira, 24 de maio de 2016

É preciso ser muito homem para dizer "sim" a Deus


Ao olharmos para a Igreja, hoje, deparamos com a beleza do grande número de jovens que se entregam ao serviço do Senhor. Jovens que deixaram tudo: projetos, juventude, sonhos, para sonhar o sonho de Deus, para dedicar a vida à salvação das almas. Vocações que se levantam, a cada dia, em resposta ao apelo do coração de Deus, por intermédio do Seu povo. Uma juventude que testemunha – com a vida – que o segredo da felicidade tem nome: Jesus Cristo.

Observando com cuidado também deparamos com uma dura realidade: são as mulheres que representam a grande maioria desses jovens que respondem ao chamado de Deus. Elas constituem a maioria em grande parte dos serviços da Igreja e dedicam, com muito carinho, toda a sua vida ao serviço do Senhor. É nesse momento que surge a pergunta: onde estão os homens?

Deus é o mesmo e continua a chamar a todos, assim como fez em toda a história da salvação. Assim como fez com Abraão, Moisés, Samuel, Davi, Pedro, Tiago, João, Paulo, Ele continua a chamar homens para o Seu seguimento. Se Ele os chama, por que eles não respondem?

Parece que os rapazes de hoje têm medo de se decidir, de se posicionar e encarar as consequências de suas decisões até o fim. Ficam ponderando e se agarrando a falsas seguranças pessoais, como se estas fossem eternas. Não afirmo isso somente com relação à vocação à vida consagrada, mas digo o mesmo com relação aos relacionamentos, ao matrimônio, ao trabalho, aos compromissos próprios da vida. Encontramos uma geração de pessoas que querem viver sem assumir a responsabilidade própria do ser homem, sem assumir o seu papel na história.

Vivemos em uma sociedade que por vezes se mostra machista, mas que ao mesmo tempo vai retirando – por meio de seus conceitos e estruturas – a firmeza, a coragem e a decisão que são próprias do ser homem. Por causa da busca desenfreada pela igualdade entre os sexos, anula-se aquilo que é próprio do homem e se forma uma sociedade frágil, na qual ninguém quer assumir o papel que lhe compete.

Para seguir uma vocação é preciso ser muito homem! É preciso muita coragem para renunciar a tudo a fim de fazer a vontade de Deus. Como homens que somos paramos de buscar a segurança em nossas próprias forças, em nossa racionalidade, que nos é tão própria, e nos abandonamos confiantes nos braços de Deus, que cuida de todas as coisas. Assumimos que mesmo sendo chamados a cuidar, a zelar e a responder por muitos, somos antes de tudo cuidados por um Pai que nos ama. Dessa forma, tornamo-nos inteiramente do Senhor e, por essa razão, nos tornamos muito mais homens.

Deus precisa de homens para levar a salvação até os confins da terra. Homens que assumam o seu papel na história e se deixem conduzir inteiramente pela ação do Espírito Santo. Homens que podem mudar a história com uma simples palavra: “sim”!

Um dia, eu fui provocado pelo Amor de Deus, que me desafiou e me exigiu uma resposta. Dei um “sim” na escuridão da fé e hoje vejo um horizonte ilimitado de felicidade na vontade de Deus. Não foi fácil romper com as amarras dos desígnios da sociedade e seguir a vontade do Senhor, mas hoje vejo o quanto essa decisão me fez muito mais homem. Hoje, sou muito mais feliz por saber que assumo o meu papel na história, assim como tantos homens que se deixaram seduzir por um Amor maior.

Talvez neste momento Deus o esteja desafiando a dar a sua resposta. Uma resposta que só depende de você. Não importa o que o Senhor esteja suscitando no seu coração: sacerdócio, matrimônio, vida consagrada em comunidade ou qualquer outra forma serviço pelo Reino de Deus. Agora é a hora da resposta e da decisão que mudarão toda a sua vida. Dê a sua resposta, mas lembre-se: é preciso ser muito homem para dizer “sim” a Deus!

quinta-feira, 14 de abril de 2016

A Igreja celebra neste domingo a Jornada Mundial de Oração pelas vocações


Mensagem do Papa para esta ocasião reflete sobre ‘A Igreja, mãe de vocações’

O Papa Francisco recordou na audiência geral que no próximo domingo será celebrada a Jornada Mundial de Oração pelas vocações. Portanto, exortou os fieis a pedirem a Cristo que envie sempre novos trabalhadores para o seu serviço.
Com o tema “A Igreja, mãe de vocações”, o Santo Padre diz que o dinamismo eclesial da vocação é um antídoto contra o veneno da indiferença e o individualismo.
Portanto, nessa mensagem, o Papa convida todos os fieis a assumir a responsabilidade no cuidado e no discernimento vocacional, especialmente os sacerdotes, porque o cuidado pastoral das vocações é uma parte fundamental do seu ministério pastoral.
Abaixo publicamos toda a mensagem do Papa Francisco:
***
Amados irmãos e irmãs!
Como gostaria que todos os baptizados pudessem, no decurso do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, experimentar a alegria de pertencer à Igreja! E pudessem redescobrir que a vocação cristã, bem como as vocações particulares, nascem no meio do povo de Deus e são dons da misericórdia divina! A Igreja é a casa da misericórdia e também a «terra» onde a vocação germina, cresce e dá fruto.
Por este motivo, dirijo-me a todos vós, por ocasião deste 53º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, convidando-vos a contemplar a comunidade apostólica e a dar graças pela função da comunidade no caminho vocacional de cada um. Na Bula de proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, recordei as palavras de São Beda, o Venerável, a propósito da vocação de São Mateus: «Miserando atque eligendo» (Misericordiae Vultus, 8). A acção misericordiosa do Senhor perdoa os nossos pecados e abre-nos a uma vida nova que se concretiza na chamada ao discipulado e à missão. Toda a vocação na Igreja tem a sua origem no olhar compassivo de Jesus. A conversão e a vocação são como que duas faces da mesma medalha, interdependentes continuamente em toda a vida do discípulo missionário.
O Beato Paulo VI, na Exortação Apostólica Evangelii nuntiandi, descreveu os passos do processo da evangelização. Um deles é a adesão à comunidade cristã (cf. n. 23), da qual se recebeu o testemunho da fé e a proclamação explícita da misericórdia do Senhor. Esta incorporação comunitária compreende toda a riqueza da vida eclesial, particularmente os Sacramentos. A Igreja não é só um lugar onde se crê, mas também objecto da nossa fé; por isso, dizemos no Credo: «Creio na Igreja».
A chamada de Deus acontece através da mediação comunitária. Deus chama-nos a fazer parte da Igreja e, depois dum certo amadurecimento nela, dá-nos uma vocação específica. O caminho vocacional é feito juntamente com os irmãos e as irmãs que o Senhor nos dá: é uma con-vocação. O dinamismo eclesial da vocação é um antídoto contra a indiferença e o individualismo. Estabelece aquela comunhão onde a indiferença foi vencida pelo amor, porque exige que saiamos de nós mesmos, colocando a nossa existência ao serviço do desígnio de Deus e assumindo a situação histórica do seu povo santo.
Neste Dia dedicado à oração pelas vocações, desejo exortar todos os fiéis a assumirem as suas responsabilidades no cuidado e discernimento vocacionais. Quando os Apóstolos procuravam alguém para ocupar o lugar de Judas Iscariotes, São Pedro reuniu cento e vinte irmãos (cf. Act 1, 15); e, para a escolha dos sete diáconos, foi convocado o grupo dos discípulos (cf. Act 6, 2). São Paulo dá a Tito critérios específicos para a escolha dos presbíteros (cf. Tt 1, 5-9). Também hoje, a comunidade cristã não cessa de estar presente na germinação das vocações, na sua formação e na sua perseverança (cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 107).
A vocação nasce na Igreja. Desde o despertar duma vocação, é necessário um justo «sentido» de Igreja. Ninguém é chamado exclusivamente para uma determinada região, nem para um grupo ou movimento eclesial, mas para a Igreja e para o mundo. «Um sinal claro da autenticidade dum carisma é a sua eclesialidade, a sua capacidade de se integrar harmonicamente na vida do povo santo de Deus para o bem de todos» (Ibid., 130). Respondendo à chamada de Deus, o jovem vê alargar-se o próprio horizonte eclesial, pode considerar os múltiplos carismas e realizar assim um discernimento mais objectivo. Deste modo, a comunidade torna-se a casa e a família onde nasce a vocação. O candidato contempla, agradecido, esta mediação comunitária como elemento imprescindível para o seu futuro. Aprende a conhecer e a amar os irmãos e irmãs que percorrem caminhos diferentes do seu; e estes vínculos reforçam a comunhão em todos.
A vocação cresce na Igreja. Durante o processo de formação, os candidatos às diversas vocações precisam de conhecer cada vez melhor a comunidade eclesial, superando a visão limitada que todos temos inicialmente. Com tal finalidade, é oportuno fazer algumaexperiência apostólica juntamente com outros membros da comunidade, como, por exemplo, comunicar a mensagem cristã ao lado dum bom catequista; experimentar a evangelização nas periferias juntamente com uma comunidade religiosa; descobrir o tesouro da contemplação, partilhando a vida de clausura; conhecer melhor a missão ad gentes em contacto com os missionários; e, com os sacerdotes diocesanos, aprofundar a experiência da pastoral na paróquia e na diocese. Para aqueles que já estão em formação, a comunidade eclesial permanece sempre o espaço educativo fundamental, pelo qual se sente gratidão.
A vocação é sustentada pela Igreja. Depois do compromisso definitivo, o caminho vocacional na Igreja não termina, mas continua na disponibilidade para o serviço, na perseverança e na formação permanente. Quem consagrou a própria vida ao Senhor, está pronto a servir a Igreja onde esta tiver necessidade. A missão de Paulo e Barnabé é um exemplo desta disponibilidade eclesial. Enviados em missão pelo Espírito Santo e pela comunidade de Antioquia (cf. Act 13, 1-4), regressaram depois à mesma comunidade e narraram aquilo que o Senhor fizera por meio deles (cf. Act 14, 27). Os missionários são acompanhados e sustentados pela comunidade cristã, que permanece uma referência vital, como a pátria visível onde encontram segurança aqueles que realizam a peregrinação para a vida eterna.
Dentre os agentes pastorais, revestem-se de particular relevância os sacerdotes. Por meio do seu ministério, torna-se presente a palavra de Jesus que disse: «Eu sou a porta das ovelhas(…). Eu sou o bom pastor» (Jo 10, 7.11). O cuidado pastoral das vocações é uma parte fundamental do seu ministério. Os sacerdotes acompanham tanto aqueles que andam à procura da própria vocação, como os que já ofereceram a vida ao serviço de Deus e da comunidade.
Todos os fiéis são chamados a consciencializar-se do dinamismo eclesial da vocação, para que as comunidades de fé possam tornar-se, a exemplo da Virgem Maria, seio materno que acolhe o dom do Espírito Santo (cf. Lc 1, 35-38). A maternidade da Igreja exprime-se através da oração perseverante pelas vocações e da acção educativa e de acompanhamento daqueles que sentem a chamada de Deus. Fá-lo também mediante uma cuidadosa selecção dos candidatos ao ministério ordenado e à vida consagrada. Enfim, é mãe das vocações pelo contínuo apoio daqueles que consagraram a vida ao serviço dos outros.
Peçamos ao Senhor que conceda, a todas as pessoas que estão a realizar um caminho vocacional, uma profunda adesão à Igreja; e que o Espírito Santo reforce, nos Pastores e em todos os fiéis, a comunhão, o discernimento e a paternidade ou maternidade espiritual.
Pai de misericórdia, que destes o vosso Filho pela nossa salvação e sempre nos sustentais com os dons do vosso Espírito, concedei-nos comunidades cristãs vivas, fervorosas e felizes, que sejam fontes de vida fraterna e suscitem nos jovens o desejo de se consagrarem a Vós e à evangelização. Sustentai-as no seu compromisso de propor uma adequada catequese vocacional e caminhos de especial consagração. Dai sabedoria para o necessário discernimento vocacional, de modo que, em tudo, resplandeça a grandeza do vosso amor misericordioso. Maria, Mãe e educadora de Jesus, interceda por cada comunidade cristã, para que, tornada fecunda pelo Espírito Santo, seja fonte de vocações autênticas para o serviço do povo santo de Deus.
Cidade do Vaticano, 29 de Novembro – I Domingo do Advento – de 2015.
Franciscus

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Papa dá conselhos a seminaristas sobre ser um bom sacerdote

Em encontros com seminaristas no Vaticano, Papa deu conselhos sobre  ser um bom sacerdote, o que inclui simplicidade e misericórdia

Da Redação, com Rádio Vaticano
Que os padres sejam simples, evitem todo tipo de duplicidade e não procurem o próprio interesse. Essas foram algumas das palavras que o Papa Francisco dirigiu aos seminaristas do Pontifício Seminário Lombardo, recebidos em audiência nesta segunda-feira, 25, no Vaticano, por ocasião dos 50 anos de fundação. O Papa deu a eles conselhos sobre ser um bom sacerdote.
Francisco convidou os padres a serem pastores para o povo, principalmente para os mais pobres; devem ser padres segundo o coração de Deus, não segundo as preferências de cada um ou as “modas” do momento.
O Santo Padre também alertou sobre algumas tentações que se colocam aos sacerdotes, como aquela de se conformar com a normalidade. “A ‘normalidade’ para nós é a santidade pastoral, o dom da vida. Se um sacerdote escolhe ser só uma pessoa normal, será um sacerdote medíocre ou pior”.

Homens espirituais e pastores misericordiosos

Como modelo para os seminaristas, o Papa indicou São Carlos Borromeu, padre jesuíta cuja vida foi um constante movimento de conversão. O santo dizia que só pode anunciar palavras de vida quem faz da própria vida um diálogo constante com a Palavra de Deus.
“Nestes anos, foi confiada a vocês a missão de treinar para este diálogo de vida, de forma que o conhecimento das várias disciplinas que vocês estudaram não são fins em si mesmas, mas devem ser concretizadas no diálogo da oração e no encontro real com as pessoas”.
Na formação dos padres, o Papa destacou que oração, cultura e pastoral são pedras de um único edifício e devem estar sempre unidas para que os sacerdotes de hoje e de amanhã sejam homens espirituais e pastores misericordiosos. Além disso, a simplicidade da vida também é um caminho essencial.
“Simplicidade de vida, que evite toda forma de duplicidade e mundanidade, à qual baste a comunhão genuína com o Senhor e com os irmãos; simplicidade de linguagem; não pregadores de doutrinas complexas, mas anunciadores de Cristo, morto e ressuscitado por nós”.
Outro ponto destacado pelo Papa foi a necessidade, para um bom padre, do contato e da proximidade com o bispo. “Um sacerdote que não tenha uma relação assídua com o seu bispo lentamente se isola do corpo diocesano e a sua fecundidade diminui, justamente porque não exercita o diálogo com o Pai da Diocese”.
Francisco encorajou os seminaristas a cultivar a beleza da amizade e a arte de estabelecer relações, para criar uma fraternidade sacerdotal mais forte que as adversidades particulares.

Fonte: http://papa.cancaonova.com/papa-da-conselhos-a-seminaristas-sobre-ser-um-bom-sacerdote/